Câmara de Israel legaliza eutanásia em doentes terminais

A Câmara Legislativa (Knesset) israelense legalizou a eutanásia para doentes terminais, com 23 votos a favor, três contra e uma abstenção, após seis anos de polêmica. O projeto foi aprovado na noite de terça-feira, em uma votação na qual só participaram 27 dos 120 deputados.A lei estabelece que, após um razoável esforço para convencer o paciente a fim de aceitar ingerir alimentos e oxigênio, assim como tratamento médico, os doentes terminais maiores de 17 anos que possam expressar sua vontade terão direito a pedir que sua vida não seja prorrogada.Os médicos estarão facultados a suspender seu tratamento nos casos de doentes que estão sofrendo e não podem manifestar sua vontade, mas que no passado renunciaram por escrito a seguir vivendo nessas condições, ou deram um poder com essa intenção.Os poderes concedidos a outra pessoa terão validade durante cinco anos, segundo a lei. No caso de doentes terminais menores de idade, seus pais poderão pedir a interrupção do tratamento, e com sua intervenção, se a criança estiver em condições de opinar.A nova lei não toma partido no caso de pessoas que, por doenças ou acidentes, ficaram em "estado vegetativo", e indica que o médico que presta atendimento ao paciente deve informar-lhe disso quando sua condição for a de um "doente terminal", isto é, que não tem cura e está condenado a morrer.A lei define como "terminal" o doente cuja esperança de vida, segundo a previsão médica, não supere os seis meses.Os três opositores à nova lei são legisladores dos partidos da minoria ortodoxa, já que a religião judia considera que a vida é uma obra divina e só seu criador tem o poder de tirá-la. Um deputado da minoria árabe do país - uma comunidade em que mais de 90% são muçulmanos e também resistente à eutanásia - se absteve na votação.

Agencia Estado,

07 de dezembro de 2005 | 13h39

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.