Câmara dos Comuns aprova pesquisa com embriões híbridos

Liberação dos embriões com DNA humano e animal para fins terapêuticos foi aprovada por 336 votos contra 176

Efe

19 de maio de 2008 | 16h45

A Câmara dos Comuns aprovou nesta segunda-feira, 19, a pesquisa científica na Grã-Bretanha com embriões híbridos criados a partir de uma combinação de DNA humano e animal.   Entenda o uso das células-tronco   Após mais de três horas de debate, os deputados rejeitaram, por 336 votos contra frente a 176 a favor, uma emenda do Partido Conservador que propunha proibir totalmente o uso deste tipo de embrião na pesquisa médica.   A liberação do uso de embriões híbridos para fins terapêuticos se insere no projeto de lei de Embriologia e Fertilidade Humana, que atualmente tramita no Parlamento.   O texto, um dos carros-chefe do Governo trabalhista do primeiro-ministro Gordon Brown, tem como objetivo atualizar a atual legislação, de 1990, com os últimos avanços científicos.   Também nesta segunda-feira, 19, os deputados votaram a parte do projeto de lei que se refere à seleção de embriões com características genéticas específicas para a criação dos chamados irmãos "salvadores", de cujos tecidos seriam obtidas células-tronco para o tratamento de doenças.   Com 342 votos contra e 163 a favor, os parlamentares rejeitaram uma emenda que pretendia proibir essa seleção.   Além disso, na terça-feira, 20, a Câmara dos Comuns votará outros dois aspectos da lei: o fim da exigência de um pai para a realização de tratamentos de fecundação assistida, para que casais de lésbicas possam ter acesso a esse procedimento, e uma emenda para reduzir de 24 para 20 semanas o prazo limite para a prática de abortos no Reino Unido.   A proposta para o uso de embriões híbridos em pesquisas causou polêmica no Reino Unido, a ponto de Brown ter tido que liberar o voto de seus correligionários para evitar uma rebelião dentro do seu próprio partido.   Para vencer a resistência dos críticos, principalmente da Igreja Católica, o premiê pediu ontem aos deputados que apoiassem o projeto de lei por considerar que o texto supõe "um esforço intrinsecamente moral" que poderia salvar e melhorar a vida de milhares de pessoas.   A Igreja Católica do Reino Unido acusa a nova legislação de ser imoral, violar os direitos humanos e permitir aberrações.   Brown, cujo filho mais novo, Fraser, sofre de fibrose cística, uma doença genética, também alegou que o cultivo de células-tronco a partir de embriões híbridos é crucial para o desenvolvimento de tratamentos para enfermidades como o mal de Parkinson ou o Alzheimer.   Os cientistas também dizem que a criação de embriões híbridos com núcleos celulares humanos em óvulos animais esvaziados (que seriam utilizados para cultivar células-tronco e seriam destruídos após 14 dias, antes de virarem fetos) compensaria a atual escassez de doações de óvulos humanos.   Matéria ampliada às 20h50 horas

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