Nasa
Nasa

Câmera que tornou o Hubble famoso será colocada em museu

Astronautas têm dificuldades mas conseguem completar primeira rodada de reformas do telescópio espacial

Associated Press,

14 Maio 2009 | 18h11

Uma dupla de astronautas conseguiu derrotar um parafuso teimoso e instalar, com sucesso, uma nova câmera no Telescópio Espacial Hubble, no primeiro passo para deixar o velho observatório à altura dos novos desafios da ciência.

 

Veja também:

mais imagens Galeria: As 10 melhores do Hubble

linkEuropa lança dois ambiciosos observatórios espaciais

 

"Faça-se a luz", disse o astronauta John Grunsfeld, enquanto técnicos, na Terra, conferiam as conexões de energia do instrumento.

 

Grunsfeld e Andrew Feustel também completaram outras tarefas importantes, substituindo uma unidade de processamento de dados e instalando um anel de atracamento, para que uma nave possa, no futuro, guiar o Hubble em seu mergulho no Oceano Pacífico.

 

O trabalho desta quinta-feira - a primeira de cinco caminhadas espaciais programadas para a tripulação do ônibus espacial Atlantis - teve um início lento e complicado.

 

John Grunsfeld e Andrew Feustel tiveram problemas para remover a velha câmera de seu lugar, porque um parafuso havia emperrado. Eles foram buscar mais ferramentas, mas nenhuma parecia funcionar.

Por fim, o controle de missão instruiu os astronautas a tentar arrancar o parafuso na força - a despeito do risco de ele se quebrar, travando definitivamente a câmera velha no lugar.

 

"Certo, lá vamos nós", disse Feustel. "Acho que consegui. Ele girou. Definitivamente, girou". E depois: "Está saindo!"

 

O esforço extra valeu a pena, mas atrasou os astronautas no cronograma de atividades da caminhada espacial.

 

O Atlantis e sua tripulação viajam numa órbita especialmente alta, de 560 quilômetros acima da Terra, repleta de pedaços de satélites destruídos. Um pedaço de lixo espacial de 10 centímetros passou voando a cerca de três quilômetros do ônibus espacial na noite de quarta-feira, poucas horas antes de o braço mecânico da nave agarra o Hubble. Mesmo um pedaço de metal tão pequeno poderia causar graves danos à nave.

 

Uma vez liberado o parafuso, Feustel removeu a velha câmera, do tamanho de um pequeno piano. "Ela ficou aqui 16 anos, Drew", disse Grunsfeld, " não queria ir embora". Os astronautas em seguida instalaram a câmera nova. O novo instrumento, chamado câmera planetária e de campo amplo, permitirá que astronautas olhem mais profundamente no Universo, alcançando até 500 milhões ou 600 milhões de anos após o Big Bang.

 

A anterior havia sido instalada em dezembro de 1993, durante a primeira missão de reparos ao Hubble, realizada para corrigir a miopia do telescópio, descoberta apenas quando ele já estava em órbita.

Contendo lentes corretivas, produziu imagens estonteantes e foi apelidada de a câmera que salvou o Hubble e de câmera do povo, porque as imagens fantásticas da paisagem espacial que produziu acabaram aparecendo em toda parte. O instrumento - que tirou mais de 135 mil fotos - será depositado em um museu.

 

Grunsfeld, que já havia participado de duas missões anteriores de reparos do Hubble e que é o astronauta que mais experiência tem com o telescópio, liderou a troca de câmeras.

 

O processador de dados original do Hubble, que havia sido lançado junto com o telescópio, há 19 anos, falhou em setembro de 2008. Ele também foi substituído na caminhada espacial desta quinta-feira. As operações de reparo do telescópio recomeçam na sexta, com outra dupla de astronautas.

Mais conteúdo sobre:
hubblenasaatlantis

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.