Campinas investe em saneamento básico

Se dependesse apenas da cidade de Campinas, no interior paulista, a meta de saneamento básico, estabelecida na Rio+10, poderia ser cumprida antes do prazo. Segundo o documento principal da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+10), encerrada em Joanesburgo, no início do mês, deve ser reduzida à metade a população sem acesso ao saneamento básico, até 2012. Campinas já tem 88% de seu milhão de habitantes conectados à rede de esgotos, mas, por enquanto, isso significa simplesmente transferir o problema das residências para os rios, pois apenas 10% desse esgoto é tratado.Até dezembro de 2004, porém, o percentual vai passar para 70%, aliviando a carga de poluição orgânica nas três principais microbacias hidrográficas da região: as dos rios Capivari, Atibaia e Quilombo.A viabilização de novos projetos de estação de tratamento de esgotos (ETE) começou com um outro tipo de saneamento: o administrativo. Em julho de 2001, a empresa municipal, Sanasa, passou por uma reforma gerencial e promoveu um reajuste diferenciado nas tarifas de água e esgoto ? de até 30% para algumas categorias residenciais. ?Em setembro/outubro estávamos com as contas saneadas e pudemos nos habilitar novamente junto aos órgãos financiadores?, diz o atual presidente, Vicente Andreu Guillo. As obras previstas para cumprir a meta de 70% de esgotos tratados deverão custar R$150 milhões, 26 dos quais a Sanasa já tem em caixa. Pouco mais de R$ 66 milhões virão do BNDES e outros R$ 53 milhões da Caixa Econômica Federal, de recursos do FGTS dedicados ao programa federal Pró-Saneamento. Restam, portanto, apenas 4 milhões para totalizar os 30 milhões de receita própria.No ranking de projetos eleitos para financiamento pelo Pró-Saneamento, três ETEs de Campinas classificaram-se nos três primeiros lugares. ?Minha preocupação, agora, é acelerar o licenciamento ambiental, que deve ser aprovado por meio de Relatório Ambiental Preliminar (RAP)?, acrescenta Guillo. ?Temos que correr contra o relógio para não perder o financiamento e o problema é que não há um fast track para licenciar obras de saneamento?.Na construção das ETEs, Guillo procurou assegurar a utilização de tecnologias mais limpas, como o reator anaeróbio de fluxo ascendente, que economiza espaço e é mais rápido do que as lagoas de decantação. Este processo também produz um tipo de lodo ativado, que pode ser usado na agricultura, como adubo, ou na fabricação de materiais de construção, ao invés de ser jogado de volta aos rios, como se faz em muitas estações. A Sanasa estabeleceu parcerias com a Universidade de Campinas (Unicamp) e com a Pontifíce Universidade Católica de Campinas (Puccamp) para desenvolver tecnologias de reciclagem do lodo.?Vamos montar uma pequena cooperativa de produção para fabricar tijolos, telhas e outros materiais cerâmicos e prensados, com este lodo?, conta o presidente da Sanasa. Ele também quer colocar em prática conceitos contra os quais ainda há muita resistência cultural, como reuso da água tratada. ?A água que sai da ETE pode ser utilizada para muitos processos industriais ou para diversos outros fins. É uma água limpa, embora não seja potável. Bem mais limpa, na verdade, do que a água captada em muitos rios, que hoje recebem os esgotos in natura?.As ações ambientais da Sanasa ainda se completam com os programas de educação no entorno de suas estações e nas áreas de periferia, que margeiam rios da região. Durante esta Semana da Árvore, por exemplo, há diversos plantios de mudas de árvores agendados, cujo objetivo é sensibilizar crianças e jovens para proteger os rios e evitar jogar lixo e outros resíduos. Hoje, o plantio envolveu cerca de 300 moradores do bairro Santa Mônica, mobilizados pela entidade ambientalista Ecoforça e pelo Centro Vedruna, que trabalha com jovens carentes.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.