Capivaras que vivem no Tietê serão removidas

Cerca de 80 capivaras, divididas em 6 grupos familiares, estão vivendo nas margens do rio Tietê, no trecho entre a Ponte do Limão e o Parque Ecológico do Tietê, em São Paulo, segundo levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis, Ibama, e por uma equipe da entidade Pró-Fauna, especialmente contratada pelo Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE). Uma boa parcela dos animais (40%) é de filhotes, indicando que elas estão se reproduzindo na área, apesar das condições de insalubridade da água, ainda muito poluída nesse trecho por substâncias químicas e, principalmente, por esgotos.As capivaras se alimentam do capim, que brota nas margens do rio, cujas moitas altas servem também de abrigo durante o dia, nos momentos em que os animais não estão dentro d´água. O período de maior atividade da espécie é o noturno, o que permite uma convivência quase tranqüila com a cidade grande, graças a um certo isolamento da beira do rio em relação à circulação de pessoas, garantido pelas vias rápidas das marginais."O problema é que o ambiente não é adequado para as capivaras, devido à poluição, e porque, à medida em que avançam as obras de aprofundamento da calha do Tietê, as áreas verdes na beira do rio devem diminuir, eventualmente pressionando os animais a subirem para as marginais, onde o atropelamento é praticamente certo", explica Ricardo Daruiz Borsari, superintendente do DAEE. Por isso os animais serão removidos para o Parque Ecológico do Tietê, onde inicialmente ficarão de quarentena, para evitar a eventual transmissão de doenças para a fauna do parque."As primeiras armadilhas já foram montadas esta noite e a expectativa é de capturar todos os animais, entre 60 dias e 90 dias, sendo que os mais ariscos podem ser sedados com dardos, se necessário", diz Wilson Lima, gerente executivo do Ibama em São Paulo. As armadilhas são como pequenos currais, com portas, que permite apenas a entrada e não a saída dos animais, no interior das quais se coloca uma ceva ou alimento para atrair as capivaras. Em geral os animais mais jovens caem nesse tipo de armadilha, seguidos pelas fêmeas, que entram para ficar próximas dos filhotes e depois pelos machos adultos.Alguns animais serão sacrificados para análise do nível de contaminação química e biológica e outros seguirão para criadouros autorizados, para servir como matrizes. "Mas a maioria permanecerá solta no próprio Parque Ecológico do Tietê, após a quarentena, com manejo dos grupos familiares para evitar a superpopulação, já que, sem predadores naturais, as capivaras proliferam rapidamente", explica Lima. Algumas cercas complementares às existentes serão construídas nos limites do Parque Ecológico, para evitar que elas voltem a sair para o trecho urbano do rio.O custo da operação de remoção é de R$ 14 mil, sem considerar a construção das cercas. O trabalho de captura também será acompanhado pelo Departamento de Parques e Áreas Verdes (Depave), da Prefeitura Municipal de São Paulo, e o manejo conta com assessoria de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Medicina Veterinária e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq).

Agencia Estado,

12 de julho de 2002 | 12h04

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.