Capivaras "urbanas" precisam ser controladas

Manejar espécies com o objetivo de garantir o equilíbrio ecológico de uma área nem sempre significa lutar contra a extinção. Às vezes, a batalha é contra a explosão demográfica e seus efeitos sobre o meio ambiente, outras espécies e a saúde humana. É o caso das capivaras, em algumas regiões do estado de São Paulo, que vêm sendo manejadas por grupos multinstitucionais desde 1999, sob coordenação do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Os resultados do manejo e a necessidade de novas ações foram discutidos, ontem, por pesquisadores, prefeituras, criadores autorizados e órgãos ambientais, em São Paulo, num workshop que durou até o início da noite.A região mais problemática engloba as cidades de Campinas, Jaguariúna, Pedreira, Valinhos, Vinhedo e Amparo, onde a combinação da expansão urbana com a existência de agricultura e rios propiciou o aumento das populações de capivaras e sua aproximação das zonas urbanas. Já houve problemas também na Ilha Anchieta, onde a capivara foi introduzida, mas depois de algumas retiradas, aquela população agora está sob controle."As capivaras são roedores, como os coelhos e ratos, reproduzem-se rapidamente e se adaptam a qualquer ambiente que tenha capim (alimento), água (como ambiente para acasalamento e parição) e um pouco de mata onde elas possam se esconder durante o dia", resume Wilson de Almeida Lima, gerente executivo do Ibama em São Paulo. Com a expansão urbana e a destruição das matas ciliares, elas perderam o ambiente natural, mas também os predadores (onças, serpentes e jacarés), passando a uma situação de desequilíbrio.Cada fêmea de capivara pode ter até 8 filhotes por gestação, com ciclos de 120 a 150 dias. Os grupos familiares se separam, geralmente com a expulsão dos jovens "solteiros", que vão constituir novos grupos, instalando-se em áreas próximas. Sem controle sanitário, elas podem hospedar vetores de doenças, como a leptospirose e brucelose, ou facilitar a proliferação de carrapatos estrela, transmissores da febre maculosa (que a capivara não contrai, mas para o homem pode ser fatal)."Recomendamos a produtores rurais ou moradores urbanos da regiões em desequilíbrio, que observem as capivaras por alguns dias, anotando horário em que aparecem, tamanho do grupo, indícios de formação de novos grupos e grau de dano a plantações e vegetação", conta Lima, detalhando as medidas previstas no plano de manejo. "Com esses dados, fazemos uma vistoria e propomos as ações pertinentes, em conjunto com prefeituras e pesquisadores: às vezes a construção de cercas já resolve, às vezes as capivaras precisam ser removidas, sendo capturadas vivas e levadas para criadores autorizados, e, em alguns casos, os animais precisam ser sacrificados para análise das vísceras e confirmação de doenças".Desde 1999, já foram recolhidas 600 capivaras, de uma população de cerca de 2 mil, estimada para região em desequilíbrio. As capivaras de regiões ecologicamente estáveis, como o Vale do Ribeira, não estão incluídas neste plano de manejo. Os animais destinados aos criadores autorizados - cerca de 40, no estado de São Paulo - servem como matrizes, após quarentena. A criação é para abate e venda de carne. "Lembro, porém, que as medidas não podem ser tomadas por particulares, tudo deve ser feito em conjunto com os grupos de controle, com autorização do Ibama", reitera Lima. As instituições, que participaram do workshop ontem, querem acentuar as retiradas, melhorar o monitoramento dos grupos e a base de dados sobre as capivaras, para assegurar o manejo adequado e evitar que o desequilíbrio atinja outras regiões do estado. A explosão populacional de capivaras também é problema em Santa Catarina, na região de Blumenau, e em Alegre, no interior do Espírito Santo.

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