AFP/NASA TV
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Cápsula Dragon da SpaceX atraca na Estação Espacial Internacional

O foguete SpaceX Falcon 9 decolou sem falhas e no horário programado do Kennedy Space Center, na Flórida, transportando quatro astronautas

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2020 | 04h51

WASHINGTON - A cápsula Dragon da empresa SpaceX, que transporta quatro astronautas, três americanos e um japonês, atracou no início desta terça-feira, 17, na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).

A primeira fase de atracação à ISS, denominada “soft capture”, terminou terça-feira às 01h01min (horário de Brasília), segundo imagens ao vivo transmitidas pela NASA na Internet. A segunda fase, ou "hard catch", ocorreu alguns minutos depois.

A cápsula, chamada de "Resiliência", foi lançada por um foguete Falcon 9 da empresa privada SpaceX, o novo meio de transporte espacial da NASA após nove anos de dependência da Rússia. "Este é um grande dia para os Estados Unidos e para o Japão", disse Jim Bridenstine, chefe da NASA, em entrevista coletiva.

O foguete SpaceX Falcon 9 decolou sem falhas e no horário programado do Kennedy Space Center, na Flórida. A bordo da cápsula presa ao topo estavam os astronautas americanos Michael Hopkins, Victor Glover e Shannon Walker, e o japonês Soichi Noguchi.

"Foi um lançamento incrível", disse o Capitão Hopkins, uma vez em órbita. Menos de três minutos após a decolagem, a uma altitude de 90 km e enquanto o foguete viajava a 7 mil km/h, o primeiro nível da espaçonave se desprendeu sem incidentes para retornar à Terra, pois será reaproveitado em missão programada para 2021 que levará quatro astronautas à ISS.

Doze minutos após a decolagem, a uma altitude de 200 km e a uma velocidade de 27 mil km/h, a cápsula Dragon destacou-se da segunda etapa. A SpaceX confirmou que a cápsula estava na órbita correta para alcançar a ISS pouco mais de 27 horas após a decolagem.

A tripulação passará seis meses na ISS, onde se juntará a dois russos e uma americana.

Este vôo "operacional" continua a missão de demonstração bem-sucedida realizada de maio a agosto, na qual dois astronautas americanos foram levados para a ISS e depois trazidos com segurança para a Terra pela SpaceX.

A SpaceX planeja outros dois voos tripulados em 2021 para a NASA e quatro missões para reabastecer a estação nos próximos 15 meses.

Uma viagem puramente privada, através da parceira Axiom Space, também está planejada para o final de 2021. A NASA deu a entender que o ator americano Tom Cruise poderia ir para a ISS, o que não foi confirmado.

"A NASA era um desastre completo quando assumimos. Agora é novamente o centro espacial 'mais quente' e mais avançado do mundo, de longe!", Escreveu o presidente dos EUA, Donald Trump, no Twitter, apropriando-se do sucesso de um plano lançado sob o mandato de seus dois antecessores.

Joe Biden, que substituirá Trump em janeiro, também elogiou a NASA e a SpaceX, mas de outro ângulo. "É uma prova do poder da ciência e do que podemos alcançar combinando inovação, engenhosidade e determinação", tuitou o presidente eleito.

A missão teve um problema com o sistema de controle de temperatura da cabine, mas foi resolvido rapidamente. "Foi apenas um pequeno problema inicial", confirmou Kathy Lueders, chefe de voo espacial tripulado da NASA.

A cápsula Dragon da SpaceX é o segundo dispositivo atualmente capaz de chegar à ISS, ao lado do altamente confiável Soyouz, que leva todos os visitantes à estação desde 2011, depois que os Estados Unidos interromperam seus voos tripulados há nove anos. Um segundo ônibus espacial, feito pela Boeing, pode estar operacionando em um ano.

A NASA espera, entretanto, continuar cooperando com a Rússia. Para fazer isso, ele propôs fornecer lugares para seus cosmonautas em missões futuras e pretende que os americanos continuem a usar o Soyouz regularmente.

A realidade é que os laços entre Washington e Moscou na arena espacial, um dos raros setores em que permaneceram bons, estão se enfraquecendo. Rompendo mais de 20 anos de cooperação com a ISS, a Rússia não participará da próxima mini-estação idealizada pela NASA em torno da Lua, o Gateway.

Para o Artemis, programa americano de retorno à Lua em 2024, a NASA assinou alianças com outras agências espaciais, incluindo Japão e Europa, mas o futuro não está claro, pois ainda não recebeu as dezenas de bilhões de dólares necessários para terminá-lo.

E Joe Biden não assumiu a meta de 2024./AFP

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