Joe Raedle/AFP
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Cápsula não tripulada da Nasa decola nos EUA para voo de teste

Lançamento da Orion foi adiado em um dia para que um problema nas válvulas da primeira fase do sistema propulsor fosse resolvido

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

05 Dezembro 2014 | 12h13

Atualizada às 18h03

Depois de um adiamento de 24 horas causado por uma anomalia técnica, a Nasa lançou ao espaço nesta sexta-feira, 5, a cápsula Orion. O objetivo da missão é testar diversas tecnologias da nave, que deverá ser usada para levar astronautas a Marte na década de 2030. 

Acoplada ao foguete Delta IV-Heavy - considerado o mais poderoso foguete de lançamento da atualidade -, a versão não-tripulada da Orion foi lançada às 10h05 (hora de Brasília), da base de Cabo Canaveral, na Flórida (Estados Unidos). Depois de dar duas voltas em torno da Terra, atingindo a altitude de 5,8 mil metros, a nave caiu suavemente no Oceano Pacífico às 14h28.

De acordo com a Nasa, a nave poderá fazer seu primeiro voo tripulado em 2021, com um provável sobrevoo da Lua. A previsão é que a Orion transporte pelo menos quatro astronautas em missões de até 21 dias de duração. A Orion é a primeira nave norte-americana desde a missão Apolo - encerrada em 1972 - capaz de levar tripulantes para além da órbita terrestre. 

Para esse voo de teste, o poderoso foguete Delta IV Heavy, da altura de um prédio de 24 andares, transportou a cápsula de 8,6 toneladas. A United Lauch Alliance, uma parceria da Lokheed Martin com a Boeing, que constrói e opera o foguete, adiou o lançamento em um dia para resolver um problema em válvulas da primeira fase do sistema propulsor.

Depois do lançamento, o foguete perfurou o céu parcialmente nublado sobre o Oceano Atlântico, enquanto carros lotavam quilômetros de estradas próximas ao local, reunindo milhares pessoas para ver o lançamento. 

A Orion entrou em uma órbita elíptica e chegou a 5,8 mil quilômetros de altitude - 14 vezes a distância da Estação Espacial Internacional, que está em órbita a 420 quilômetros do solo. Há mais de 40 anos nenhuma espaçonave capaz de levar tripulantes chegou tão longe da Terra.

A cápsula entrou de volta na atmosfera a uma velocidade de mais de 32 mil quilômetros por hora. Freada por três paraquedas, a espaçonave caiu no Oceano Pacífico, a mil quilômetros da costa mexicana da península da Baixa Califórnia, onde foi resgatada pelo navio USS Anchorage, da Marinha norte-americana.

Um dos principais objetivos do voo, com custo de mais de US$ 300 milhões, foi o de testar o escudo térmico da nave, que deve resistir a temperaturas de 2.200 graus Celsius na volta à atmosfera terrestre, além de provar o sistema de paraquedas e os computadores de bordo. A cápsula foi enviada com 1200 instrumentos para captar e medir as vibrações, o nível de ruído e a temperatura.

A Nasa já investiu mais de US$ 9 bilhões no desenvolvimento da Orion, que deverá fazer um segundo voo de teste sem tripulação dentro de cerca de quatro anos.
 
A Orion é a primeira nave espacial desenvolvida pelos Estados Unidos nos últimos 30 anos. A última havia sido a Atlantis, que voou pela primeira vez com astronautas em 1981 e encerrou suas atividades em 2011. As futuras missões da Orion além da órbita terrestre dependerão do desenvolvimento em curso de um novo lançador de grande capacidade - o Space Launch System (SLS). No total, a Orion e o SLS deverão custar de US$ 19 bilhões a US$ 22 bilhões.

Exploração de asteroides. Na última quarta-feira, 3, o Japão lançou com sucesso a sonda Hayabusa-2, que fará uma viagem de seis anos até o encontro com um asteróide. A sonda colherá amostras do asteróide que, segundo a Agência Japonesa de Exploração Espacial (Jaxa) , ajudarão a revelar as origens da vida na Terra. O lançamento foi realizado a partir da base de Tanegashima, no sul do país, à 1h22 (horário de Brasília). Depois de uma hora e 47 minutos, a sonda se separou do foguete, conforme o previsto. 

O Hayabusa-2 viajará em direção ao 1999 JU3, um asteróide primitivo de menos de um quilômetro de diâmetro, onde deverá chegar na metade de 2018. No asteróide, a sonda deverá liberar o veículo robotizado Minerva-2 e o módulo de pouso Mascot, projetado pelo Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES) da França e pelo Centro Aeroespacial Alemão (DLR), para colher as amostras da superfície e do subsolo. Ao recolher amostras do asteróide, que contém carbono e água, os cientistas esperam descobrir quais matérias orgânicas se concentravam no Sistema Solar na época de sua formação. 

Para recolher a poeira do 1999 JU3, a sonda lançará um instrumento sobre a superfície do asteróide e se esconderá em outro lado do objeto. O instrumento projetará uma bola de metal para abrir uma cratera de vários metros de diâmetro. Depois do bombardeio, a sonda reunirá as amostras e iniciará a viagem de volta. O Hayabusa-2 deverá voltar à Terra em 2020. A primeira versão do Hayabusa, lançada em 2003 rumo ao asteróide Itokawa, chegou ao destino depois de sete anos, depois de inúmeros incidentes técnicos.

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