Caravana busca integração entre comunidades amazônicas

Um barco partiu hoje de Silves, município localizado a 300km de Manaus, no Amazonas, para retomar um roteiro de visitas a comunidades vizinhas, num projeto de apoio ao desenvolvimento de ecoturismo, produção e comercialização de artesanato, extrativismo sustentável e educação ambiental. Fruto de uma parceria entre a entidade ambientalista WWF-Brasil e a Associação de Silves pela Preservação Ambiental e Cultural (Aspac), o projeto é chamado de Caravana Mergulhão, em homenagem a uma ave muito comum nos rios da região. O objetivo principal é levantar as potencialidades de cada uma das 13 comunidades localizadas nas margens do Lago Canaçari, quanto à produção de alimentos ou peças de artesanato, que possam ser comercializadas em Silves, além de identificar locais para desenvolvimento de novas trilhas de ecoturismo, praias ou áreas de interesse para visitação. Na equipe do barco também seguem educadores ambientais, que realizarão oficinas, com o intuito de recolher material para uma publicação, que posteriormente servirá de subsídio para professores e técnicos locais. A Caravana Mergulhão existe desde 1998 e resultou em algumas parcerias estabelecidas entre as comunidades ribeirinhas. Mas as viagens haviam sido interrompidas por falta de recursos. Agora, com a retomada do projeto, as visitas do barco serão feitas nos finais de semana, com etapas previstas até maio de 2003. Entre as parcerias já estabelecidas, estão, por exemplo, os acordos que garantem à Pousada Aldeia dos Lagos, de caráter comunitário, o abastecimento com queijos, verduras e frutas, produzidos na região; o uso de sabonetes de essências nativas, fabricados pela associação de mulheres; a comercialização de cestaria e artesanato de madeira e o fornecimento de canoas e remos, para uso dos turistas.?Quatro destas comunidades também oferecem trilhas ou opções para passeios e nossa meta até 2004 é envolver pelo menos 7 comunidades?, conta Vicente Neves, da Aspac, um dos responsáveis pela pousada. Com 12 apartamentos e capacidade para receber 25 pessoas, a unidade foi inaugurada em setembro de 1997 e quase nunca fica vazia, recebendo ecoturistas estrangeiros, em 70% dos casos. Segundo Neves, a comunidade de Santa Luzia de Sanambani tem opções de pique-niques nas praias e pesca artesanal ou esportiva. Em Cristo Rei do Anebá, os ecoturistas passam o dia com os ribeirinhos, fazem trilhas na mata e podem optar por refeições ou pernoite nas casas caboclas. Em São José do Pampolha e em Santa Maria do Rio Amazonas, a atração é o passeio de barco, pelo Lago Canaçari ou próximas às margens do rio Amazonas, respectivamente.A assistência técnica para a adoção de práticas agrícolas ou extrativas mais sustentáveis e a divulgação dos esforços de preservação dos recursos pesqueiros, nos lagos do município, são outros resultados esperados da Caravana Mergulhão. Em Silves, os ribeirinhos adotaram o sistema de pesca racional, realizado em conjunto com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), segundo o qual a pesca é totalmente interditada em alguns lagos, destinados à reprodução; parcialmente interditada em outros lagos, destinados apenas à comunidade, e liberada em alguns locais, onde os pesqueiros comerciais podem entrar, mediante acordo com as comunidades. Fiscais comunitários se revezam nos lagos interditados, a bordo de flutuantes, para garantir sua preservação.

Agencia Estado,

08 de novembro de 2002 | 15h37

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