Caravana Mergulhão é reativada

Após alguns meses de interrupção, para regularização de cadastros e documentos, a Caravana Mergulhão voltou a percorrer as comunidades do Lago de Silves, no Amazonas, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento de ecoturismo, produção e comercialização de artesanato, extrativismo sustentável e educação ambiental. Fruto de uma parceria entre a entidade ambientalista WWF-Brasil e a Associação de Silves pela Preservação Ambiental e Cultural (Aspac), o projeto é chamado de Caravana Mergulhão, em homenagem a uma ave muito comum nos rios da região. A caravana atende a 13 comunidades ribeirinhas, localizadas no entorno do Lago de Silves, a 300km de Manaus, com visitas de barco feitas nos finais de semana.Nestas comunidades, o ecoturismo que se pretende desenvolver é voltado, sobretudo, para europeus e norte americanos, que visitam a Amazônia nas férias do verão do Hemisfério Norte, de julho a setembro. Para as comunidades mais organizadas, orientadas pelos técnicos da caravana, algumas atrações estarão prontas para receber estes turistas já na próxima temporada, segundo Davis Gruber Sansolo, consultor do WWF-Brasil e coordenador do projeto.Ele cita o exemplo da comunidade de Nossa Senhora da Conceição da Baixa Funda, que fica a 40 minutos de voadeira (barco de alumínio com motor de popa) de Silves. Ali foi identificada e aberta uma trilha de apenas 20 minutos, até um enorme angelim, umas das árvores mais majestosas da região. A trilha pode substituir com vantagens uma outra, de duas horas de caminhada, usada atualmente em outro ponto do lago. Também foram assinalados trechos da floresta de igapó, que podem ser visitados de canoa.A identificação destes atrativos turísticos e sua adaptação para receber turistas é feita de forma participativa. No último fim de semana, o barco da caravana - com 9 técnicos, professores e representantes da Aspac - foi a Cristo Rei do Anebá e Nossa Senhora da Conceição da Baixa Funda. Ali, os moradores apresentaram, num mapa, sua proposta de atrativos turísticos. Os atrativos foram visitados juntamente com os técnicos, que acrescentaram outras sugestões, identificadas no percurso.?Muitas vezes, os moradores não percebem que uma paisagem teria interesse para turistas, porque para eles é corriqueira demais e às vezes são trechos lindos de floresta?, observa Sansolo. Estabelecidos os atrativos que serão trabalhados, as comunidades e os membros da caravana passam a discutir os procedimentos para viabilizar a visitação turística, incluindo a produção de folhetos/vídeos ou outros materiais de divulgação, preparação das trilhas, locais de alimentação e eventualmente até de pernoite. ?Estamos planejando produzir um vídeo, por exemplo, para mostrar como é feita artesanalmente uma canoa de um tronco só, para apresentar aos turistas, que depois visitariam trechos de igapó, remando nestas canoas?, diz o coordenador da caravana. Parte destes preparativos tem sido financiada através da Aspac, com recursos do Programa Pró-Várzeas, que tem uma linha para componentes de ecoturismo. A cooperação entre comunidades também é importante e, nesta nova fase, os técnicos tem levado duas ou três pessoas de uma comunidade para visitar as outras, estimulando a troca de informações. A próxima viagem da Caravana Mergulhão parte hoje (9/5), de Silves para as comunidades de São José Pampolha, São Sebastião do Itapani e Santa Luzia do Sanabani.Clique aqui e veja o especial Caravana Mergulhão

Agencia Estado,

09 de maio de 2003 | 12h13

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