Caravana Mergulhão encerra segunda etapa de visitas

A equipe da Caravana Mergulhão, que está discutindo formas de desenvolvimento sustentável com treze comunidades do município de Silves, no Amazonas, encerrou neste fim de semana a segunda parte do projeto, com visitas a mais três comunidades: São José da Pampolha, Santa Luzia do Sanabani e Nossa Senhora da Conceição da Baixa Funda. Entre palestras, atividades e oficinas para crianças, a equipe da Associação de Silves pela Preservação Ambiental e Cultural (Aspac) e do WWF-Brasil discutiu questões como a disposição do lixo, permacultura (agricultura orgânica) e acordos de pesca.São todas comunidades ribeirinhas das margens do lago Canaçari, que estão recebendo a Caravana para discutir alternativas e transformá-las em mapas e planos de ação. A Caravana teve início em novembro de 2002 e deve prosseguir até maio de 2003.A próxima fase, que deve acontecer a partir de fevereiro, terá como destaque o ecoturismo. Segundo o consultor Davis Gruber Sansolo, coordenador do projeto, serão visitadas nesta etapa as comunidades que quiserem se envolver com o tema. ?Silves é um pólo ecoturístico que vêm crescendo na Amazônia e a Prefeitura tem incentivado a atividade. As comunidades precisam saber que serão influenciadas por isso de qualquer maneira, entrando ou não no processo?, diz.Sansolo explica que barcos de pesca esportiva, por exemplo, já estão chegando à região. O ideal, para os ambientalistas, é que antes que isso comece a ser constante, as comunidades discutam os benefícios e prejuízos que a atividade pode trazer, podendo se organizar e criar zoneamentos, para que o ecoturismo seja uma oportunidade e não atrapalhe outras atividades, como a própria pesca local. Tanto nas visitas deste fim de semana, quando na da semana passada em Cristo Rei do Anebá, os moradores se envolveram em atividades voltadas para melhorar as técnicas de agricultura sustentável e acordos de pesca. O consultor do WWF-Brasil conta que, além das vantagens ambientais, a permacultura permite uma maior independência dos agricultores dos créditos rurais, que são vinculados à compra de sementes, adubos e defensivos agrícolas. Davis Gruber Sansolo/WWF-Brasil Oficina com crianças em São Sebastião do ItapaniOutra grande preocupação dos moradores refere-se ao destino do lixo. ?Estamos incentivando a prática da compostagem para os resíduos orgânicos, para utilização na agricultura. Quanto ao lixo industrial, o problema é mais complicado, pois não há coleta e, como é em pouca quantidade, não existe comprador para justificar a separação para reciclagem?, diz Sansolo.Um dos maiores problemas são as pilhas, largamente utilizadas pela população em rádios e lanternas. Embora os moradores tenham consciência de que é um resíduo tóxico e costumem criar cemitérios de pilhas, não é o ideal em local tropical, sujeito a muita chuva e altas temperaturas. ?Vamos entrar em contato com fabricantes, em Manaus, para tentar uma solução para o problema, já que pela Lei Federal eles são responsáveis pela destinação desse material?.As oficinas têm, ainda, a finalidade de encontrar formas de manter a limpeza das comunidades, principalmente nas sede, onde ficam as escolas e onde as famílias se encontram para cultos e festas. A colocação de cestos de lixo foi uma das propostas apresentadas. O coordenador da Caravana explica que foram escolhidos, em cada comunidade, responsáveis por tocar cada um dos projetos.Veja o especial "Caravana Mergulhão"

Agencia Estado,

23 de dezembro de 2002 | 15h32

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