Cardeais fazem a última Congregação-Geral antes do conclave

Perfil ideal para o sucessor de Bento XVI é discutido em reuniões informais; conclave começa nesta terça-feira (12)

José Maria Mayrink, Enviado especial,

09 Março 2013 | 17h07

VATICANO - Os cardeais aproveitam a folga de domingo para celebrar missa nas igrejas de Roma das quais são titulares, mas continuam discutindo em encontros informais sobre a situação da Santa Sé, em busca do perfil do sucessor ideal de Bento XVI. Esse foi também o tema principal da última Congregação-Geral do Colégio Cardinalício, na manhã deste sábado, com a participação de todos os 115 eleitores que participarão do conclave, que começa na próxima terça-feira.

Sempre longe da imprensa, se for para falar do conclave, os cardeais que quiserem dar entrevistas poderão mandar mensagens aos fiéis de suas dioceses, para recomendar que todos peçam ao Espírito Santo que os ilumine na hora de escolher o novo papa.

Hoje, os apartamentos da Casa Santa Marta, no interior do Vaticano, já foram sorteados para os cardeais, que deverão se transferir para essa residência, correspondente a um hotel de quatro estrelas, a partir das 7 horas (horário local - quatro horas a menos no Brasil) de terça-feira. Às 10h, todos participam da missa Pro Eligendo Pontifice (em intenção da eleição do papa) na Basílica de São Pedro, sob a presidência do cardeal decano, Angelo Sodano. A celebração será aberta aos fiéis, que ali verão os cardeais pela última vez, até a eleição do papa.

Na terça-feira, primeiro dia do conclave, os 115 eleitores sairão da Santa Marta para a Capela Paulina às 15h45, e seguirão em procissão, às 17h30, para a Capela Sistina,onde farão juramento de guardar sigilo sobre a eleição e eventualmente farão primeiro escrutínio. Depois de rezar as Vésperas do Ofício Divino, voltarão à Casa Santa Marta para jantar às 19h30.

Enquanto o papa não for eleito, a rotina será a mesma nos dias seguintes: café da manhã às 7h30, votação na Capela Sistina às 9h30, almoço às 13 horas, outra votação à tarde e jantar às 19h30.A partir do segundo dia, quarta-feira, haverá quatro escrutínios por dia, dois pela manhã e dois à tarde. Se não se chegar a um resultado, os cardeais farão um dia de pausa para rezar e conversar entre eles, após cada três dias de votação.

"Depois de 34 escrutínios sem a eleição do papa, hipótese bastante remota, apenas os dois candidatos mais votados continuarão na disputa", informou o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi. Será eleito aquele que somar dois terços dos votos, 77 do total de 115 eleitores.

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, informou que as cédulas são queimadas ao final das votações da manhã e da tarde e não após cada votação particular. Ou seja, por volta das 12h e das 19h. Mas se o novo pontífice vier a ser eleito na primeira votação da manhã ou da tarde, a fumaça branca sairá da chaminé no meio da manhã ou no meio da tarde. Assim, todos devem estar atentos entre 10h30 e 11h e entre 17h30 e 18h (horários locais).

Jornalistas credenciados para a cobertura do conclave puderam visitar ontem à tarde, em grupos de 30, a Capela Sistina, subindo pela Escada Santa, que sai direto da colunata de Bernini, na Praça de São Pedro.

Cada grupo permaneceu 15 minutos na Capela Sistina, ao lado das duas estufas de cobre usadas para a queima de papéis de anotação e das cédulas da votação. A imprensa só pôde observar, fotografar e filmar à distância as mesas e cadeiras destinadas aos cardeais, diante do quadro do Juízo Final. Os eleitores chegarão a seus lugares por uma rampa instalada para a reunião.

De acordo com Lombardi, ontem foram destruídos os dois anéis do Pescador usados por Bento XVI (o que usava no dedo anular e o que servia como carimbo), além dos carimbos a seco e uma matriz em chumbo.

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