Cartaz com recém-nascido gay gera polêmica na Itália

Conservadores criticam a peça publicitária, e alguns gays temem que o cartaz traga mais discriminação

25 de outubro de 2007 | 14h47

A foto de um bebê usando uma pulseira de identificação na qual se lê a palavra "homossexual", parte de uma campanha contra a homofobia, provocou uma grande controvérsia na Itália.                                  A imagem do recém-nascido de bochechas rosadas, acompanhada do slogan "A orientação sexual não é uma escolha", em breve será exibida em outdoors de toda a Toscana.                                   Mas o Vaticano e políticos conservadores rapidamente criticaram o anúncio, que teve cópias publicadas em jornais italianos.                                  O parlamentar Luca Volonte, cristão-democrata, afirmou que usar um recém-nascido para sugerir o caráter inato da inclinação homossexual é algo "fraudulento e vergonhoso". Segundo a senadora Maria Burani Procaccini, da oposição conservadora, cabeças deveriam rolar por conta da campanha.                                   Por seu lado, o Vaticano, que não considera as inclinações homossexuais pecaminosas, mas que condena as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo, considerou a questão estranha.                                   "Não há necessidade de fazer um anúncio desse tipo", declarou a repórteres o principal diplomata do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, que ocupa o cargo de secretário de Estado.                                  Já para o Arcigay, um grupo italiano de defesa dos direitos dos homossexuais, o cartaz representa um avanço na luta pela igualdade de direitos.                              "Sou a favor do anúncio porque ele manifesta um conceito do qual estou convencido há algum tempo - o de que a homossexualidade não é uma escolha", afirmou o advogado gay Franco Grillini.                   "Um homossexual possui apenas duas opções: ou aceita sua sexualidade ou vive infeliz."           Nem todos os ativistas gays deixaram-se convencer. O filósofo Gianni Vattimo disse que o anúncio pode sugerir que os gays e as lésbicas formam uma raça à parte.                                   O congressista transgênero Vladimir Luxuria, de esquerda, afirmou ter ficado perplexo com a escolha da imagem.                                   Elaborada pela fundação canadense Emergence, a polêmica campanha já circulou em Québec.               O consultor Agostino Fragai participou do processo de escolha da campanha para ser lançada na rica e historicamente progressista Toscana. E disse saber que a imagem geraria um debate, mas ressaltou ser importante chamar atenção para o assunto.                             "Nós a escolhemos porque se trata de um outdoor incisivo, mas delicado, com um bebê nele", afirmou Fragai.

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