Católicos insatisfeitos também aguardam o papa nos EUA

Gays, mulheres e defensores do uso de métodos contraceptivos farão manifestações durante a visita

Associated Press,

13 de abril de 2008 | 22h05

O papa Bento XVI poderá não vê-los e nem ouvi-los, mas católicos revoltados esperam que sua visita aos Estados Unidos, nesta semana, ajude-os a chamar atenção para questões que vão da ordenação de mulheres aos direitos dos gays, passando pelos abusos sexuais praticados por padres  e a proibição do uso de contraceptivos pelo Vaticano.  VEJA TAMBÉMVisita do papa é desafio para a segurança em NY Grupos planejam vigílias, manifestações e entrevistas coletivas para dar destaque às causas que defendem, enquanto o papa visita Washington e Nova York. Nesta segunda-feira, 14, véspera da chegada do pontífice, defensores da ordenação de mulheres para o sacerdócio católico  farão o que chamam de "missa inclusiva" numa igreja metodista. A cerimônia será celebrada por mulheres católicas - incluindo duas que, recentemente, foram excomungadas. "Não poderemos dar as boas vindas a este papa até que ele comece a eliminar a violência e o sexismo continuados da Igreja", disse a irmão Donna Quinn, coordenadora da Coalizão de Freiras dos Estados Unidos. Ativistas gays católicos pretendem realizar uma manifestação na terça-feira, 15, junto à carreata do papa a caminho de Washington. Eles compilaram uma lista de declarações feitas por Bento XVI que consideram ofensivas a gays e lésbicas.  Outra questão que será levantada é a proibição do uso de contraceptivos pelo Vaticano. Em uma teleconferência prevista para esta segunda-feira, quatro teólogos católicos discutirão a encíclica Humanae Vitae, de 1968, que definiu a oposição do Vaticano à contracepção artificial. "Os católicos se perguntam por que há uma disparidade tão grande entre o que a hierarquia diz que deveríamos fazer e o que os católicos no mundo real fazem de fato", disse o presidente do grupo Católicos pela Escolha, Jon O'Brien. O nível de atenção que o papa dará a essas queixas durante sua visita ainda é desconhecido. Mas o enviado do Vaticano aos Estados Unidos, arcebispo Pietro Sambi, disse que qualquer manifestação de desagrado será lamentável.  "Mesmo na Igreja Católica, ninguém tem o direito de instrumentalizar a visita do papa para servir a seus interesses pessoais", disse ele ao jornal  National Catholic Repórter. "O problema é que muitas pessoas gostariam de ser o papa... e que se atribuem um grande senso de infalibilidade".

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