Célula-tronco cura problema renal em ratos

Humanos poderão se beneficiar, mas terapia ainda é experimental

Herton Escobar, de O Estado de S. Paulo,

10 de dezembro de 2008 | 21h38

Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) conseguiram curar insuficiência renal aguda em ratos com injeções de células-tronco da medula óssea. Segundo o nefrologista Nestor Schor, que coordena a pesquisa, há uma perspectiva real de que a técnica possa funcionar também em seres humanos - apesar de que ainda são necessários vários anos de pesquisa com animais para garantir a segurança do processo.   "Os resultados são impressionantes", afirma Schor. Os experimentos começaram há cerca de um ano e meio, dentro da tese de doutorado da pesquisadora Luciana Reis. A equipe trabalha com dois modelos de insuficiência renal aguda em ratos: um induzido pelo antibiótico gentamicina (muito usado no tratamento de infecções severas) e outro, induzido por uma toxina da bactéria Escherichia coli, que causa infecções em seres humanos.   Todos os animais tratados com células-tronco tiveram "melhora significativa" das funções renais, com reversão do quadro de insuficiência, segundo Schor. Em seres humanos seria o suficiente para tirar um paciente da diálise, por exemplo.   As células usadas no estudo são chamadas mesenquimais, um tipo de célula-tronco da medula óssea que normalmente dá origem a tecido muscular, ósseo ou cartilaginoso. Elas foram coletadas de ratos machos e injetadas na corrente sanguínea de fêmeas, de modo que os cientistas pudessem rastreá-las por meio do cromossomo Y (exclusivo dos machos).   Segundo Schor, há vários mecanismos que poderiam explicar o efeito benéfico do procedimento. É possível que as células-tronco atuem como "enfermeiras", secretando moléculas terapêuticas ou estimulando as células do rim a trabalhar mais para reparar as lesões causadas no órgão. Ou, então, podem estar se fundindo com células renais e diferenciado-se para formar tecidos sadios.   "É provável que todas essas coisas estejam ocorrendo, dependendo da situação", avalia Schor. A insuficiência renal é caracterizada por processos de inflamação e necrose de estruturas do órgão.   Cerca de 80 ratos já foram testados. Apesar do otimismo, Schor frisa que a técnica ainda está longe de ser testada em pessoas. "Ainda é tudo experimental", diz. Os resultados ainda precisam ser publicados em uma revista científica para serem validados.

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