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Célula-tronco é usada em cirurgia contra cegueira

Cirurgiões do Reino Unidos utilizam técnica em mulher de 60 anos com doença ocular degenerativa; avaliação será em 3 meses

Agências internacionais

29 Setembro 2015 | 23h12

LONDRES - Cirurgiões do Reino Unidos fizeram uma operação pioneira com células-tronco embrionárias para curar a perda de visão. A intervenção, que só foi divulgada nesta terça-feira, 29, aconteceu no mês passado e teve como paciente uma mulher de 60 anos, que sofre de uma doença ocular degenerativa e não quis ser identificada. Ela passa bem.

O professor Lyndon Da Cruz, do Hospital Moorfields Eye, de Londres, esteve à frente da operação, que consistiu em criar um “remendo” de células com base em uma célula extraída diretamente do epitélio da retina. O centro médico e os especialistas envolvidos esperam que até dezembro possam divulgar os resultados finais do experimento, avaliando se a perda de visão foi controlada. “Espero que no futuro muitos pacientes se beneficiem desse transplante de células”, ressaltou Da Cruz.

Segundo a equipe médica, uma célula-tronco de um embrião doado e criado a partir de um tratamento de fertilização in vitro foi preparada em laboratório para criar o epitélio pigmentário retinal, uma capa de células pigmentadas que aparece na retina e alimenta as células visuais. A degeneração macular (DMRI, em português), da qual sofria a paciente, é responsável por 50% de todos os casos de cegueira ou perda de visão no mundo desenvolvido. 

Geralmente afeta pessoas com mais de 50 anos e prejudica tanto a visão de longe como a de perto, podendo impedir atividades como a leitura. Até 2020, o número de casos de DMRI pode chegar a 8 milhões, considerando quem tem mais de 65 anos.

O atual programa de estudos foi estabelecido há dez anos com diversos órgãos, incluindo o Instituto de Oftalmologia da University College London (UCL) e o Instituto Nacional de Investigação da Saúde. Desde 2009, o experimento conta ainda com o apoio da gigante farmacêutica Pfizer. Ao todo dez pacientes, que apresentam a versão “úmida” ou mais grave da doença, tendo risco de cegueira futura, devem ser tratados com a nova técnica e monitorados durante um ano.

Larga escala. Chris Mason, professor de Medicina Regenerativa na UCL, considera que o estudo é importante tanto pela possibilidade de tratar uma das principais causas de cegueira como pelos avanços na compreensão do uso de células-tronco embrionárias em tratamentos. “Se os ensaios forem bem-sucedidos, essa terapia poderá tornar-se acessível em larga escala.” / COM EFE, REUTERS E AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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