Células cancerosas podem passar de mãe para filha

Cientistas detectam o primeiro caso de transmissão de câncer no útero

Efe

13 Outubro 2009 | 05h10

Uma japonesa passou células cancerosas a sua filha durante a gravidez. É o que aponta um estudo britânico, em que mostra que é o primeiro caso desse tipo de transmissão de câncer no útero, qualificado de extremamente raro pelos cientistas.

 

A mulher, com 28 anos, quando deu a luz, faleceu devido a complicações médicas durante o tratamento contra a leucemia. No caso de sua filha, que tem quase três anos, a doença está em retrocesso, diz os médicos.

 

Na análise das células cancerígenas da mãe e da filha, foi coordenado pelos cientistas do Instituto de Investigações sobre o Câncer de Sutton, em Surrey, na Inglaterra. Os resultados foram publicados na revista norte-americana da Academia Internacional de Ciências.

 

De acordo com o coordenador do estudo, professor Mel Greaves, esse foi o primeiro caso que se determina com precisão que um câncer foi transmitido entre mãe e feto, embora há relatos de transmissão de câncer entre mãe e feto, como leucemia e melanoma.

 

As análises feitas pelos cientistas britânicos mostram que as células com leucemia da mãe tinham o mesmo gene canceroso mutado na filha. Os pesquisadores primeiro estabeleceram que a filha não havia herdado esse gene da mãe e analisaram como as células cancerígenas puderam neutralizar o sistema imunológico da criança.

 

Assim descobriram que o sistema imunológico da menina não reconheceu as células cancerígenas como elementos estranhos e não as atacaram.

 

"Parece que neste e em outros casos similares, as células cancerosas da mãe atravessaram a placenta, entraram no feto e conseguiram se instalar ali, pois tornaram-se invisíveis ao sistema imunológico, explica Greaves.

 

O cientista britânico, Peter Johnson, do Instituo de Pesquisa de Câncer do Reino Unido, qualificou o caso como "uma prova a mais de que os cânceres necessitam burlar o sistema imunológico para se desenvolver.

 

"Se conseguirmos alertar o sistema imunológico sobre a presença de células cancerosas, talvez podemos desenvolver novos tipos de tratamento", explica Johnson.

 

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