Células têm memória própria para celebridades

Células do cérebro são capazes, individualmente, de se "lembrar" de uma celebridade, um lugar famoso ou um objeto conhecido, revela um estudo feito no Instituto de Tecnologia da Califórnia. A constatação surpreendeu os cientistas, para quem a memória sempre envolveu uma mega-rede de células.Oito pessoas foram apresentadas a diversas imagens numa tela de notebook, enquanto os cientistas observavam a atividade de determinadas células, explicou Itzhak Fried, um dos coordenadores do projeto.Num dos casos, uma única célula era ativada quando a pessoa via diferentes fotos de Halle Berry, a famosa atriz que encarnou a mais recente Mulher Gato. Com a roupa do filme, em desenho ou mesmo seu simples nome escrito ativaram a célula.Em outro participante, uma célula respondeu à imagem de Jennifer Aniston, uma das protagonistas do seriado Friends. A mesma célula reagiu também quando Jennifer apareceu com sua parceira de estúdio Lisa Kudrow.Estudo da memória"É um vislumbre de como os neurônios representam conceitos de parceria (...), e pode levar a estudos mais avançados sobre como a informação conceitual é organizada na memória humana", comentou Charles Connor, da Universidade Johns Hopkins, Charles Connor, que estuda como o cérebro processa informações visuais.O estudo, publicado na Nature, foi feito com oito pessoas que tiveram eletrodos instalados no cérebro por ocasião de testes e tratamentos para epilepsia. Os eletrodos monitoram a atividade de uma pequena parcela de células do lobo médio temporal, numa área onde as coisas que as pessoas percebem são eventualmente transformadas em lembranças.Sem redesPor ser um estudo com poucos participantes, os cientistas não podem tirar conclusões tão abrangentes."Não há uma célula específica para registrar Jennifer Aniston, isso seria impossível", esclareceu Fried. "Nem podemos dizer que uma dada célula cerebral vai reagir a apenas uma pessoa ou objeto."De fato, algumas células responderam às imagens de pessoas diferentes ou de uma pessoa e um objeto, por exemplo.O que o estudo sugere, escreveram os pesquisadores, é que o cérebro usa relativamente poucas células para gravar algo que as pessoas vêem. Isso contrasta com a idéia de que a memória requer uma ampla rede de células.O toque curioso da pesquisa, observou Fried, foi quando um participante que havia reconhecido Jennifer Aniston não teve a mesma reação celular ao vê-la ao lado de seu então marido, Brad Pitt, de quem se separou meses depois."Eu não sei se isso foi uma profecia...", brincou ele.

Agencia Estado,

23 de junho de 2005 | 12h59

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