Células-tronco adultas podem formar qualquer tipo de tecido

A aplicação de células-tronco no tratamento de doenças degenerativas, ainda polêmica e coberta de incertezas, ganhou nesta quinta-feira o reforço de duas pesquisas nos Estados Unidos que comprovaram sua capacidade terapêutica, tanto na versão adulta como embrionária. Cientistas da Universidade de Minnesota demonstraram que células-tronco adultas, extraídas da medula óssea de camundongos podem ser cultivadas em laboratório para formar qualquer tipo de tecido no organismo."É algo de que já se suspeitava há algum tempo, mas esse é o primeiro estudo a provar isso de maneira convincente", disse o pesquisador Radovan Borojevic, professor de embriologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que trabalha com células-tronco para a recuperação de tecidos cardíacos. Em outro experimento, células embrionárias foram usadas com sucesso para tratar o mal de Parkinson em camundongos.A grande promessa das células-tronco está na sua capacidade de diferenciação. Elas são células "virgens", desprogramadas, como uma fita cassete em branco que pode receber qualquer tipo de gravação. A idéia, portanto, é programá-las para formar tecidos específicos, que poderiam ser usados no tratamento de uma série de doenças - para repor células produtoras de insulina em diabéticos, por exemplo, ou neurônios em portadores do mal de Alzheimer. Sem risco de rejeição, pois os tecidos seriam cultivados a partir de células do próprio paciente.O problema é onde obtê-las. As células-tronco embrionárias são as melhores e mais fáceis de se trabalhar, mas isso envolve destruir embriões humanos. A outra fonte, utilizada pela equipe de Minnesota, seriam tecidos adultos, como a medula, que preservam células-tronco dentro deles.Usando reagentes químicos, os pesquisadores conseguiram condicionar a diferenciação das células da medula em vários tipos de tecido. Quando injetadas em camundongos, as células-tronco foram incorporadas pelo organismo e se transformaram em células do sangue, pele, fígado, intestino e pulmão, que parecem funcionar normalmente.A mesma equipe, coordenada pela pesquisadora Catherine Verfaillie, já havia demonstrado, no início do ano, que células-tronco da medula de pessoas adultas podem originar tecidos especializados em tubos de ensaio. Se o experimento com os camundongos der certo também em seres humanos, seria uma alternativa ao uso de células embrionárias.Os cientistas deixam claro, entretanto, que as pesquisas com embriões não podem ser abandonadas. "Não sabemos até que ponto essas células-tronco adultas são viáveis, pois elas envelhecem junto com o organismo", explica Borojevic, que tem 60 anos. "As técnicas pesquisadas com células embrionárias e adultas são complementares, mas não substituíveis."No outro estudo divulgado nesta quinta, a equipe do pesquisador Ronald McKay, do Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Derrame dos EUA, transformou células-tronco embrionárias de camundongos em neurônios, que foram transplantados para animais com sintomas do mal do Parkinson. As novas células se incorporaram ao cérebro e passaram a produzir dopamina, aliviando significativamente os efeitos da doença.

Agencia Estado,

21 de junho de 2002 | 00h06

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