Cemitério químico contamina água em Cumbica

A água usada no abastecimento do bairro de Lavras, em Guarulhos, na Grande São Paulo, onde está localizado o Aeroporto Internacional de Cumbica ? o maior da América Latina, freqüentado por 10 mil passageiros diariamente ? está ameaçada de contaminação por substâncias tóxicas.Laudos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) divulgados na semana passada mostraram que o lençol freático da região, espécie de rio subterrâneo usado para obtenção de água potável, apresenta resíduos de chumbo, bário e cromo.Por ser um local afastado e ermo, o bairro de Lavras funciona como um cemitério químico clandestino. Durante a madrugada, caminhões cruzam as ruas sem asfalto da região lançando da carroceria dejetos tóxicos e entulho, inclusive no leito de córregos.Testes e laudosA Infraero alegou que o abastecimento do aeroporto é feito por poços artesianos perfurados em Guarulhos, com água retirada de grandes profundidades. Segundo a instituição, são feitos testes diários por técnicos especializados, que nunca encontraram vestígios das substâncias tóxicas apontadas nos laudos do IPT.O secretário do Meio Ambiente de Guarulhos, Valter Dantas, aguarda mais estudos para conhecer os riscos reais ao abastecimento do bairro de Lavras, onde vivem aproximadamente 50 mil pessoas.?Não sabemos qual é o grau de contaminação do lençol freático. Precisamos de tempo para estudar melhor a situação e tomar as atitudes adequadas?, afirmou. Ele enviou os laudos do IPT para estudo do Ministério Público.Lodo do TietêPara agravar a situação, existe no bairro um dos terrenos utilizados pelo governo do Estado para depósito do lodo retirado da obra de aprofundamento da calha do Rio Tietê. Esse material, segundo o IPT, também seria perigoso por apresentar uma quantidade de gás benzopireno ? atualmente em estado sólido, agregado aos dejetos ? superior ao permitido pela legislação brasileira.A Prefeitura de Guarulhos suspendeu temporariamente a licença do aterro. A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB), órgão responsável pela análise do material depositado no local, sustenta que o laudo do IPT está equivocado.?Preferimos seguir a norma internacional, que trata do assunto de forma mais atualizada. Pela lei estrangeira nosso material não apresenta problemas?, afirma o diretor de tecnologia e qualidade ambiental da CETESB, Lineu Bassoi.

Agencia Estado,

14 de abril de 2004 | 11h26

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