Cérebro prevê o que o olho em movimento verá, indica estudo

Estudo foi feito pedindo-se que voluntários olhassem na direção de um cronômetro e notassem o tempo

25 Agosto 2009 | 15h53

Quando o olho se move, os objetos na linha de visão saltam repentinamente para um ponto diferente da retina, a camada interna do olho onde as imagens são captadas e transmitidas ao cérebro. A despeito da mudança abrupta, no entanto, o que a mente "vê" é uma cena em movimento fluido e contínuo. Um novo estudo indica que esse efeito ocorre porque o cérebro é capaz de prever as consequências do movimento do olho antes mesmos que a cena seja avistada.

 

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O trabalho, intitulado Looking ahead: The perceived direction of gaze shifts before the eyes move, foi publicado na revista da Associação de Pesquisa em Visão e Oftalmologia, o Journal of Vision.

 

O estudo foi feito pedindo-se que voluntários movessem os olhos na direção de um cronômetro de ponteiros e enunciassem o tempo marcado no mostrador.

 

O tempo médio informado pelos voluntários estava 39 milissegundos adiantado em relação ao tempo real. Como controle, em algumas ocasiões o relógio foi deslocado, em vez dos olhos do voluntário. Nessas ocasiões, o tempo informado estava 27 milissegundos atrasado em relação ao tempo real.

 

"Revelamos um momento em que as coisas não são percebidas como realmente são", disse, em nota, a principal autora do estudo, a psicóloga Amelia Hunt, da Universidade de Aberdeen.  "Essa descoberta serve como lembrete de que cada aspecto de nossa experiência é construído por nossos cérebros".

 

O artigo sugere que a previsão é resultado de um "remapeamento", no qual os  neurônios envolvidos na percepção visual tornam-se ativos ou dormentes para ajudar o cérebro a manter um ambiente visual estável, a despeito da imagem cambiante na retina.

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