Cérebro prevê significado antes de ouvir palavra inteira

Cientistas dizem que esta é a única maneira de o ouvinte conseguir acompanhar a rápida taxa da fala

da Redação, estadao.com.br

11 de setembro de 2008 | 19h22

Cientistas na Universidade de Rochester mostraram pela primeira vez que nosso cérebro automaticamente considera muitas palavras possíveis, e seus significados, antes mesmo de terminar de ouvir uma palavra até o fim.  Teorias anteriores propunham que só se pode acompanhar o ritmo rápido da fala - de até cinco sílabas por segundo - antecipando um pequeno subconjunto de palavras já conhecidas, mais ou menos da mesma forma que o Google antecipa o que você vai digitar. Esse subconjunto é formado de todas as palavras que começam pelo mesmo som, e torna a tarefa de entender uma palavra específica mais eficiente do que se esperássemos até que todos os sons fossem apresentados.  Mas até agora, pesquisadores não tinham como saber se o cérebro também considera o significado dessas palavras possíveis. As novas descobertas são a primeira vez em que cientistas, usando uma tomografia computadorizada, conseguiram realmente ver esse instante de atividade cerebral.  "Nós tínhamos que encontrar uma maneira de conseguir pegar o cérebro fazendo algo que acontece tão rápido que ocorre literalmente entre sílabas", disse Michael Tanenhaus. "As pessoas pensavam que não poderia ser feito." Mas podia ser feito. Só era necessário inventar uma nova linguagem para isso.  Eles se concentraram em uma pequena parte do cérebro chamada V5, que é conhecida por ser ativada quando uma pessoa vê movimento. A idéia era ensinar a alunos um conjunto de palavras, algumas das quais significavam "movimento", e então olhar a área V5 enquanto eles ouviam as palavras e notar se ela se ativava ao ouvirem aquelas que significavam "movimento".  Por exemplo, ao ouvir a palavra kitchen (cozinha), a equipe esperava que o cérebro se ativasse ao ouvir kick (chute), mas a equipe não pôde usar palavra em inglês pois uma palavra simples como kick tem muitas nuances de sentido. A equipe teve que criar um conjunto de novas palavras que tivessem sílabas iniciais similares, mas com finais diferentes, e significados distintos - um dos quais relacionado ao movimento e que ativaria a área V5. A equipe criou um programa de computador que mostrava formas irregulares e dava nomes aleatórios a elas, como goki. O programa também criava novos verbos. Por exemplo, biduko significava "a forma vai se mover pela tela" e biduka significava "a forma vai mudar de cor". Depois que uma série de alunos aprendeu as palavras, a equipe os testou na tomografia. Os alunos viam uma das formas em um monitor e ouviam biduko ou biduka. Embora apenas uma dela significasse movimento, a tomografia captou atividade na área V5 para as duas, embora em menor quantidade para biduka.  A presença de alguma atividade para a palavra de mudança de cor mostra que o cérebro, por um instante, considerou o significado de movimento entre duas palavras possíveis, antes mesmo de ouvir o final que as diferencia.

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