CERN passa a aceitar países-membros de fora da Europa

Centro de pesquisas atualmente conduz o maior experimento científico do mundo

REUTERS

21 Junho 2010 | 13h52

A Organização Europeia de Pesquisa Nuclear, CERN, que abriga o Grande Colisor de Hádrons (LHC), atualmente o maior experimento científico em andamento no mundo, vai passar a aceitar como sócios todos os países que se qualifiquem, e não mais apenas Estados europeus.

 

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Até agora, o centro de estudos nos arredores de Genebra, que conta com orçamento anual de US$ 8,7 bilhões, vinha admitindo apenas nações da Europa como membros plenos, embora muitos outros países participem dos trabalhos.

 

"Trata-se de um enorme salto para a física de partículas, e que reconhece a crescente globalização do campo", disse Michel Spiro, presidente do conselho administrativo do CERN, que tomou a decisão no fim de semana.

 

Rolf Heuer, diretor-geral do centro cujos cientistas já receberam diversos prêmios Nobel e onde a World Wide Web foi inventada, disse que a mudança reflete o interesse mundial nas pesquisas sobre a origem do universo.

 

A mudança não significa que mais dinheiro será, necessariamente, recebido pelo CERN, que conta com um orçamento fixo de cinco anos, rateado entre os países-membros, diz o porta-voz James Gilles.

 

Mas significa que passa a haver uma fonte extra de verbas para a organização que, segundo críticos, absorve dinheiro que poderia ser usado em questões de aplicação prática. Os defensores do CERN lembram que as pesquisas realizadas lá geram vários benefícios econômicos e médicos indiretos.

 

Fundado em 1954 por 12 países europeus com o objetivo de restaurar o papel do continente na pesquisa física depois da 2ª Guerra Mundial, o Cern hoje tem 20 membros plenos, mas há mais de 8.000 cientistas, de 80 países, trabalhando em seus programas.

 

Seis países de fora da Europa são membros-observadores do CERN - Índia, Israel, Japão, Rússia, Turquia e EUA - bem como a Comissão Europeia e a Unesco. Entre esses, tanto Israel quanto Turquia - e também Chipre, Sérvia e Eslovênia - devem se tornar membros plenos ainda neste ano.

 

O plano permite que a categoria dos observadores seja substituída por uma de membros associados, que funcionaria como uma antessala para a conversão em membro pleno.

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