Cern produz 10 milhões de mini-Big Bangs em uma semana

As colisões criam simulações minúsculas do Big Bang, a explosão primária ocorrida há 13,7 bilhões de anos

ROBERT EVANS, REUTERS

07 Abril 2010 | 15h48

Os físicos do centro de pesquisas europeu Cern disseram nesta quarta-feira que foram produzidos 10 milhões de mini-Big Bands na primeira semana de operações a uma altíssima potência da maratona investigativa sobre os segredos do cosmos.  

 

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O porta-voz James Gillies afirmou que o Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), no qual minúsculas partículas de matéria são esmagadas numa fração de segundo à velocidade da luz, estava funcionando extremamente bem.  

 

Diagrama de colisão de alta energia ocorrida no interior do LHC. Divulgação

"Tudo parece muito bom. Estamos obtendo um grande número de dados para analistas de laboratórios de todo o mundo, mesmo que levem meses ou anos para que surja algo de fato novo", afirmou Gillies.

Autoridades do Cern, o Centro Europeu para Pesquisas Nucleares, estão ávidas para superar as duas primeiras semanas de funcionamento em alta potência, lembrando que em 2008 um lançamento anterior do LHC a uma potência menor teve de ser paralisado por causa de um grande vazamento de uma solução de resfriamento depois de 10 dias.

Os cientistas que observam o anel de 27 quilômetros do LHC situado sob a fronteira entre Suíça e França, perto de Genebra, disseram que se registravam agora 100 colisões por segundo, o dobro da quantidade observada no primeiro dia de atividade em alta potência na semana passada.

Os feixes de partículas primeiro foram injetados para dentro do LHC e então colidiram a uma energia inédita de 7 tera -- ou 7 trilhões -- de eletronvolts (TeV) no dia 30 de março, no que os cientistas afirmam ter sido um avanço gigantesco na pesquisa sobre o cosmos.

As colisões criam simulações numa escala minúscula do Big Bang, a explosão primária ocorrida há 13,7 bilhões de anos da qual surgiu todo o cosmos -- com suas galáxias, estrelas, planetas e enfim a vida, assim como as leis universais da física.

Ao rastrear como as partículas se comportam após colidirem, os pesquisadores do Cern esperam desvendar segredos do cosmos tais como a formação da matéria escura, ou invisível, por que a matéria ganhou massa e há mais dimensões além das quatro que já conhecemos.

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