Certificação é a melhor garantia

Um dos maiores cuidados para o idealizador, produtor ou consumidor refere-se à origem da matéria-prima. ?Ainda temos no Brasil uma visão puramente extrativista em relação aos recursos naturais. Por isso, mesmo com a Mata Atlântica reduzida a 7% de sua cobertura original, ainda temos setores que defendem a continuidade do desmatamento?, disse Mário Mantovani, diretor da Fundação SOS Mata Atlântica, durante o seminário Design & Natureza.Por isso mesmo, segundo o ambientalista, é preciso cuidado na avaliação. ?Desconfiem de planos de manejo de florestas nativas na Mata Atlântica, onde as áreas são pequenas e fragmentadas?, diz. Isso não significa, porém, que produtos florestais devam ser evitados. ?O ideal é que existam projetos de certificação confiáveis, tanto para madeira, como para outros produtos como piaçava, bromélias, palmitos e até turismo?, diz.Através da certificação é possível escolher todos os tipos de matéria-prima e optar por madeira nobre amazônica ou madeira plantada de reflorestamento, conforme a necessidade. Tasso Azevedo, do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), uma das instituições autorizadas a fornecer o selo FSC (Conselho de Manejo Florestal) no Brasil - o de maior credibilidade mundial na área - acredita que só o manejo garantirá sustentabilidade econômica ao setor.Azevedo lembra que o Brasil é o maior consumidor mundial de madeiras tropicais e que 20% da madeira da Amazônia é consumida no Estado de São Paulo, consumo este maior do que o de toda a Europa. Uma pesquisa realizada pelo Imaflora, junto a 1.200 estabelecimentos que trabalham com madeira em São Paulo, mostrou que essa madeira não é exportada, mas permanece no Estado, a maior parte utilizada na construção civil.Segundo a pesquisa, 42% da madeira é usada em telhados de casas, 28% em andaimes e formas para concreto, 15% em móveis populares, 11% em forros, pisos e esquadrias, 3% em casas pré-fabricadas e 1% em móveis finos e peças de decoração. Da madeira destinada ao uso industrial, 14% é para a fabricação de forros, pisos e esquadrias, 13% para casas pré-fabricadas e 69% para os móveis populares. ?O cruel é que o consumidor deste produto escolhe pelo preço, o que significa que poderia se utilizar madeira de reflorestamento?, diz Tasso.O Imaflora constatou, ainda, que 27% dos empresários consultados, durante os seis meses da pesquisa, não compram madeira certificada pelo preço elevado, 19% por conta da oferta limitada, 1% não vêem obstáculos e 53% por falta de informação. ?Na indústria da construção civil vertical, 68% dizem ter interesse em produtos de boa origem, por isso estamos investindo hoje em conversar com as incorporadoras, que são quem decide os produtos que serão utilizados?, diz.Para o arquiteto Marcelo Aflalo, a opção pela sustentabilidade é uma questão de atitude. Por conta disso, há dez anos resolveu construir uma casa ecológica para morar. O projeto foi concebido para respeitar a inclinação do terreno, utilizar materiais não agressivos - a casa é quase toda feita em madeira de reflorestamento -, não ter desperdício de matéria-prima. ?A estética do projeto foi conseqüência das minhas opções construtivas e não o contrário. Os princípios que adquiri neste processo utilizo hoje em todo o meu trabalho.?

Agencia Estado,

17 de setembro de 2002 | 17h59

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