Cetesb alerta que poluição nas metrópoles ainda é grande

Há exatos 50 anos, na primeira quinzena de dezembro de 1952, um dos maiores casos de poluição do ar já registrados causou a morte de cerca de 3 mil pessoas em Londres, na Inglaterra. Este episódio foi um marco na relação entre poluição do ar e saúde humana e deu início ao processo que levou às modernas leis de controle de emissões nas grandes cidades do mundo.Para lembrar a data e discutir as conseqüências da contaminação atmosférica no Brasil, a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente realizaram nesta quarta-feira, no auditório da Cetesb, em São Paulo, o simpósio Poluição do Ar e Saúde ? 50 anos depois de Londres.Com índices de poluição muito altos desde a década de 40, quando os bondes elétricos começaram a ser substituídos por ônibus movidos a diesel e a frota de automóveis passou a crescer vertiginosamente, a capital inglesa tinha sérios problemas, principalmente no inverno, também por conta da queima de carvão nas chaminés das residências e edifícios comerciais.Em 1952, um inverno mais frio do que o usual provocou um aumento no consumo de carvão que, aliado a uma inversão térmica (o fog londrino) cobriu a cidade com uma fumaça preta, que deixou os habitantes vários dias sem ver a luz do sol.Na ocasião, foram contabilizadas 3 mil mortes por doenças respiratórias e cardiovasculares causadas pela poluição. Estudos recentes, porém, mostram que o efeito desse episódio foi bem mais devastador e está associado a cerca de 12 mil mortes entre dezembro de 1952 e março de 1953.Além de impulsionar as pesquisas sobre o tema, o fato levou à promulgação, quatro anos depois, do Tratado do Ar Limpo, que previa o controle da poluição industrial e proibiu a queima de carvão para aquecimento doméstico.De lá para cá, muito se avançou no controle da poluição, mas, como lembrou o presidente da Cetesb, Fernando Reis, "a queima de combustíveis fósseis ainda é um problema que aflige não somente a saúde das cidades, mas a do planeta, por conta do efeito estufa".Para José Goldemberg, secretário estadual de Meio Ambiente, o ideal seria que não esperássemos a ocorrência de grandes desastres para agir. "Há muitos crimes ambientais menores que, somados, têm o mesmo efeito", disse.O secretário afirmou que, atualmente, a grande causa de poluição nas cidades é o automóvel. "No entanto, embora tenhamos que seguir muitas etapas para conseguir instalar uma termelétrica no Estado, novos veículos passam a circular diariamente em São Paulo sem exigência nenhuma."Segundo o químico Cláudio Alonso, da Cetesb, os índices de poluição atmosférica na Região Metropolitana de São Paulo caíram de maneira consistente desde 1994, quando começou o controle industrial e uma melhoria tecnológica nos veículos, e atualmente são poucos os dias em que ultrapassam o padrão. "Isso prova que o meio ambiente não é uma causa perdida, mas nossa situação ainda não é confortável. Ainda estamos num patamar muito próximo ao padrão, que nada mais é do que o limite do tolerável", explica.Outro fator citado pelo especialista é que estações de controle da Cetesb instaladas em cidades bem menores do que São Paulo, como Sorocaba, Ribeirão Preto e Limeira, mostram índices de poluição também perto do padrão e muito parecidos com a Região Metropolitana. "Esses dados nos fazem pensar: será que São Paulo é realmente a cidade mais poluída do Brasil? O que acontece nas grandes cidades brasileiras que não contam com monitoramento?", questiona.A resposta poderá vir do Programa de Vigilância da Qualidade do Ar, que está sendo implantado pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Guilherme Franco Netto, coordenador-geral da Vigilância Ambiental em Saúde, criada em 2001 pelo Ministério da Saúde, diz que o objetivo do programa é justamente saber o grau de poluição das cidades brasileiras e como isso está afetando a saúde da população.Projetos pilotos estão sendo implantados em Volta Redonda, no Rio de Janeiro, e em Camaçari, na Bahia. "Estamos em conversação com a Cetesb, para que seja o centro de referência de controle ambiental da Funasa", adiantou.

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