Cetesb aponta contaminação em Campinas

A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) constatou contaminação no lençol freático e no solo do condomínio de apartamentos Parque Primavera, no bairro Mansões de Santo Antônio, em Campinas, que está se estendendo para além dos limites do terreno, onde até o início da década passada funcionava uma empresa química, a Proquima. Segundo relatório preliminar da Cetesb, a contaminação da água subterrânea por solventes clorados e metais está bem caracterizada. O documento informa ainda que também existe contaminação, em menor grau, no solo do terreno. No condomínio, instalado em uma área de 16 mil metros quadrados, vivem 50 famílias. O gerente regional da Cetesb em Campinas, o engenheiro Fernando Carbonari, explicou que foi feito monitoramento da água encanada utilizada pelos moradores e de gases voláteis, mas nesses dois itens não foi constatada nenhuma anormalidade. O terreno pertence atualmente à construtora Concima. De acordo com Carbonari, a Cetesb determinou que a empresa proceda uma ampla avaliação no local, para diagnosticar com precisão os níveis de contaminação, num raio de 200 metros além da propriedade. Água e solo serão analisados. A Concima tem 45 dias para apresentar o laudo final e uma proposta de recuperação ambiental da área. A Cetesb proibiu a movimentação de terra e a comercialização de novas unidades habitacionais, até que o problema esteja totalmente resolvido. O projeto da Concima prevê a construção de 400 apartamentos no local, sendo que 50 foram vendidos. O gerente regional comentou que a proposta de descontaminação será posteriormente analisada pela Cetesb para a definição do cronograma. Ele preferiu não apontar o que poderá ser feito. "Depende do laudo final", explicou. A Concima também tem como função monitorar um córrego afluente do Ribeirão Anhumas, localizado a 350 metros do condomínio. "Se a contaminação continuar se espalhado, irá atingir o córrego", revelou Carbonari. Ele disse que, pela análise preliminar, "é pouco provável" que os moradores do Parque Primavera tenham sido atingidos pela contaminação. Mesmo assim, a Cetesb enviou cópias do laudo para o Ministério Público e para as secretarias de saúde municipal e estadual. Segundo o gerente regional, as secretarias poderão definir se há necessidade de submeter os moradores a exames médicos. Caso seja necessário, os procedimentos deverão ser negociados com a Concima e a Proquima.A empresa química operou durante 25 anos no terreno, mas foi interditada pela Cetesb em 1995 por contaminar água, ar e solo. Após iniciar o monitoramento, Cetesb exigiu da nova proprietária, a Concima, investigação sobre a poluição na área. Desde então, os empreiteiros estão proibidos de movimentar o solo e construir novas unidades.

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