Chefes de Estado pedirão ajuda aos países pobres e em desenvolvimento

A Declaração Política que os chefes de Estado e de governo firmarão na quarta-feira na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável deve pedir o alívio da dívida externa dos países em desenvolvimento e o aumento da assistência financeira para os países pobres. A declaração, segundo esboço obtido pelo Estado, reconhecerá que os desequilíbrios e a má distribuição de renda, tanto entre países quanto dentro deles, estão no cerne do desenvolvimento insustentável. E admitirá que os objetivos estabelecidos na Rio-92 não foram alcançados. "Reconhecemos que o fardo debilitador da dívida carregado pelos países menos desenvolvidos em particular, pelos países em desenvolvimento como um todo, assim como pelos países de renda média, constitui um grande obstáculo ao desenvolvimento sustentável", afirma o documento, que deve ser firmado amanhã, na ausência do presidente Fernando Henrique Cardoso, que retorna hoje às 16h (11h em Brasília). O presidente tocou no tema da dívida em entrevista coletiva hoje, quando lembrou que o Brasil, "que não é rico", perdoou as dívidas de países pobres da América do Sul e da África, enquanto a "sovinice" de países ricos não lhes permite dar mais assistência aos que necessitam. Intitulado O Compromisso de Johannesburgo sobre Desenvolvimento Sustentável, o documento tem 69 parágrafos, segundo o esboço acertado ontem pelos negociadores, e é dividido em seis partes. Na primeira parte, denominada De Nossas Origens ao Futuro, o documento diz: "Do continente africano, berço da humanidade, declaramos nossa responsabilidades uns em relação aos outros, com a comunidade maior da vida e com as futuras gerações." "Os maiores desafios do nosso tempo continuam sendo a pobreza, o subdesenvolvimento, a degradação ambiental e as desigualdades sociais e econômicas dentro e entre os países", afirma o texto, mais adiante. "Reconhecemos que a erradicação da pobreza, a modificação dos padrões da produção e do consumo, a proteção e a gestão da base de recursos naturais para a sustentação da vida, o desenvolvimento social e econômico são os principais objetivos e os requisitos essenciais do desenvolvimento sustentável." "Compartilhamos um senso coletivo de que precisamos mudar o modo como nos governamos como humanos neste planeta", prossegue a declaração. "Reconhecemos que as metas que estabelecemos para nós mesmos na Cúpula da Terra do Rio não foram alcançadas. No momento que enfrentamos coletivamente os desafios do novo século, a Cúpula de Johannesburgo forneceu a plataforma tanto para a revisão de nosso progresso quanto para a mudança do foco em direção à implementação." Veja o Especial Rio+10

Agencia Estado,

02 de setembro de 2002 | 21h06

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