Chega a São Paulo ararinha-azul encontrada nos EUA

Chegou hoje às 07h15 - vôo RG 8819 - no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, uma ararinha-azul vinda dos Estados Unidos. Trata-se da segunda ave dessa espécie repatriada este ano para o Brasil. A ave, um macho, foi apresentada ainda pela manhã, no Zoológico de São Paulo, pelo gerente-executivo do Ibama no Estado de São Paulo, Wilson Lima, o coordenador de Proteção de Espécies da Fauna do Ibama, Carlos Bianchi, e o diretor da Fundação Parque Zoológico de São Paulo, Paulo Bressan.A ararinha-azul foi descoberta nos Estados Unidos pelo Serviço de Pesca e Vida Selvagem (U.S. Fish and Wildlife Service), que investiga a origem provavelmente ilegal da ave, e sua existência foi comunicada ao Ibama em agosto. Foi a primeira localizada nos Estados Unidos desde a criação do comitê de recuperação da espécie há dez anos. Agora será integrada ao programa de recuperação da espécie (Cyanopsitta spixii), coordenado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A espécie, nativa do sertão baiano, já não existe mais em habitat natural e mesmo em cativeiro, conforme Bianchi, só se tem notícia de 54 indivíduos vivos. O último espécime solto na natureza foi um macho, acompanhado durante dez anos, que desapareceu em outubro de 2000. Por isso, a importância da descoberta de mais uma ararinha nos Estados Unidos. Nos Brasil, além da que chegou hoje, existem atualmente seis ararinhas azuis: duas no zoológico de São Paulo e quatro no Criadouro Conservacionista Chaparral, em Recife. A sétima ararinha do plantel brasileiro será submetida a um período de quarentena no zoológico de São Paulo, para que os estudiosos avaliem suas condições físicas. A ave tem cerca de 25 anos e, teoricamente, ainda pode se reproduzir. Em setembro último, uma fêmea de ararinha azul (Cyanopsitta spixii), da Fundacción Loro Park, de Tenerife, na Espanha, chegou ao Brasil e foi encaminhada ao Chaparral, em Recife, onde espera-se que forme um casal com um macho ?viúvo? e se reproduzam. Segundo Bianchi - atual gerente de linhagem (studbook keeper), responsável pela definição dos melhores "casamentos", do ponto de vista genético -, a ararinha americana, depois da avaliação do Ibama, poderá ter o mesmo destino da espanhola e ser ?apresentada? às duas fêmeas, filhas do macho ?viúvo? de Recife. A esperança dos cientistas é compor uma população geneticamente viável para a reintrodução na vida selvagem. Na última lista de Espécies Ameaçadas de Extinção brasileira, divulgada na semana passada, a ararinha-azul está na categoria ?extinta na natureza?.

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