Cheney censurou depoimentos sobre efeito estufa, diz cientista

Gabinete do vice-presidente temia que pudessem dificultar tentativa de evitar regulação das emissões de CO2

AP

08 de julho de 2008 | 16h23

O gabinete do vice-presidente Dick Cheney forçou cortes nos testemunhos ao Congresso sobre conseqüências do aquecimento global na saúde pública, temendo que a apresentação de um grande representante de saúde norte-americana pudesse dificultar ainda mais a tentativa de evitar a regulação das emissões de gases estufa, diz um ex-funcionário de uma agência governamental de meio ambiente.  Quando seis páginas foram cortadas dos testemunhos de mudança climática e saúde pública pelo chefe do Centro de Controle de Doenças em outubro, a Casa Branca insistiu que as mudanças foram feitas por causa de preocupações dos conselheiros do governo quanto à precisão da ciência. Mas Jason K. Burnett, que foi até mês passado conselheiro sobre mudança global para o administrador da Agência de Proteção Ambiental (EPA), Stephen Johnson, disse que o gabinete de Cheney esteve profundamente envolvido na remoção de cerca de metade dos testemunhos originais. "O conselho de Qualidade Ambiental e o escritório do vice-presidente queriam a exclusão de alguns testemunhos temendo quaisquer discussões sobre o impacto do aquecimento global sobre a saúde humana", disse Burnett ao Comitê do Senado sobre Meio Ambiente e Obras Públicas.  A carta de três páginas, uma resposta ao questionamento da Senadora Barbara Boxer (Democrata), chegou ao conhecimento da Associated Press nesta terça-feira, 8. Burnett, de 31 anos, democrata que deixou seu posto na EPA por conta de desentendimentos sobre a resposta da agência quanto ao aquecimento global, demonstra grandes preocupações políticas na Casa Branca, incluindo o gabinete de Cheney, sobre ligar a mudança climática diretamente a problemas de saúde pública ou ao meio ambiente.  Cientistas acreditam que a poluição gerada pelo homem esteja provocando o aquecimento e que se o processo não for revertido ele vai causar mudanças climáticas significativas, que representam problemas sérios para a saúde pública, do aumento de doenças a mais lesões devido ao clima extremo.  Comitivas do Senado e da Casa Branca têm tentado há meses conseguir documentos que determinem a extensão da influência política sobre cientistas do governo, mas tiveram recusas de qualquer tipo de ajuda. A carta de Burnett pela primeira vez sugere que o gabinete de Cheney esteja envolvido na minimização da percepção dos impactos do aquecimento global sobre a saúde pública e bem estar, acreditam os senadores.  O gabinete de Cheney também fez objeções em janeiro sobre o testemunho de Johnson no Congresso sobre "emissões de gases estufa prejudicarem o meio ambiente." Um representante do gabinete "ligou para dizer que seu escritório queria que a linguagem fosse mudada" com referência ao efeitos prejudiciais do aquecimento sobre o meio ambiente deletadas, disse Burnett. No entanto, a frase foi mantida no depoimento de Johnson.  A EPA está examinando se o dióxido de carbono oferece perigo à saúde pública. A Suprema Côrte disse que em caso afirmativo, as emissões deverão ser controladas pelo Clean Air Act.

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