REUTERS/Rodrigo Garrido
REUTERS/Rodrigo Garrido

Eclipse solar será parcial no Brasil; Chile e Argentina terão visão total

Um dos melhores locais para assistir 'o grande eclipse latino-americano' é a cidade chilena de La Serena, que conta com 17 observatórios astronômicos

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2019 | 21h13
Atualizado 02 de julho de 2019 | 11h36

RIO - O único eclipse total do Sol de 2019 ocorre nesta terça-feira, 2, e poderá ser visto em sua totalidade só de uma estreita faixa que cruza o Chile e a Argentina - no Brasil, a visão será apenas parcial. Ainda assim, ele está sendo chamado de “o grande eclipse latino-americano” e “o evento astronômico do ano”.

Isso porque um dos melhores locais para ver o fenômeno é La Serena, Chile, onde há 17 observatórios astronômicos. E é extremamente raro que a área de sombra de um eclipse total caia, justamente, na região de observatórios de grandes telescópios. Só ocorreu duas vezes nos últimos 50 anos.

“O Chile tem o melhor céu do mundo para observações, especialmente no inverno”, diz o diretor do Planetário do Rio, Alexandre Cherman. “E mais ainda no Deserto do Atacama, onde o clima é extremamente seco.”

A astrônoma Duília de Melo, da Universidade Católica da América, já está em La Serena. Ela observará o eclipse junto com uma equipe do Observatório La Campana, em tenda montada no Atacama especialmente para isso. Como ela, também há centenas de cientistas e turistas. 

Horário do eclipse solar

Em La Serena, a fase parcial do eclipse começa a ser observada às 15h23 e a total, às 16h39 (no horário de Brasília, será às 16h23 e 17h39 respectivamente). Por quase dois minutos, a Lua vai bloquear completamente os raios do Sol. O dia vai se transformar em noite e só será possível ver a coroa solar.

Justamente por ocorrer numa área repleta de observatórios, o eclipse servirá a vários experimentos. Cientistas repetirão, por exemplo, o experimento feito em Sobral, no Ceará, há exatos cem anos - decisivo para corroborar a Teoria da Relatividade Geral, proposta por Albert Einstein. 

“Além de tentar reproduzir o que foi feito em 1919, há outros experimentos. Tem muitos grupos fazendo estudos sobre o vento solar e a coroa do Sol”, afirma Duília.

“A coroa solar, a parte externa do Sol, normalmente é invisível, porque é ofuscada pela luz”, diz Cherman. “Só é visível durante o eclipse e pode trazer informações sobre a composição e o funcionamento do Sol.”

Os eclipses totais do Sol ocorrem, em geral, duas vezes por ano. O problema é que são visíveis em sua totalidade de poucos lugares a cada vez. Sem falar que o tempo pode ficar nublado bem na hora e estragar tudo. Por isso, estima-se que as chances de uma pessoa qualquer ver um eclipse total seria de só uma vez na vida. No Brasil, o próximo está previsto para 2045.

Duília, claro, é uma exceção: será o terceiro visto por ela. “Absolutamente emocionante”, conta. “Todo mundo deveria ver menos um na vida, para entender a força da natureza, como não estamos no controle de nada. Pessoas choram, crianças gritam, animais ficam confusos. Escurece de repente, esfria, maravilhoso. Este ano conseguiremos ver Marte e Mercúrio a olho nu. Certeza de que vou me emocionar.”

Vai dar pra ver o eclipse no Brasil?

No Brasil, o eclipse poderá ser visto apenas de forma parcial em alguns Estados, a partir das 16h48, horário de Brasília. Segundo o Observatório Nacional, os lugares que apresentam melhor visualização são: Porto Alegre (75% - início às 16h48), Florianópolis (60% - início às 16h53), Curitiba (55% - início às 16h55), Campo Grande (46% - início às 16h56), São Paulo (46% - início às 17h) e Rio de Janeiro (40% - início às 17h03). 

Também será possível ver o eclipse pelos sites do Observatório Europeu do Sul (ESO) e do Museu Exploratorium. A partir das 16h, o canal no YouTube do TimeAndDate.com  terá transmissão.

Festa astronômica atrai milhares de cientistas e turistas

As regiões chilenas de Atacama e Coquimbo esperam receber, no total, mais de 300 mil turistas, cientistas e outros caçadores de eclipse para observar o espetáculo astronômico do ano. Nesses locais, os hotéis estão com reservas esgotadas há pelo menos um ano e o número de voos triplicou. 

Vicuña, cidade de 27 mil habitantes, prevê receber entre 150 mil e 180 mil visitantes. “Do poder público e dos empresários, estamos desde 2015 nos preparando para este dia”, afirma Alejandro Miranda, subgerente da Corporação de Turismo do município. 

Na praça da pequena La Higuera, lugar do país onde poderá se ver melhor e por mais tempo o eclipse, professores distribuíam nesta segunda-feira, 1º, lentes especiais aos alunos no único colégio da cidade. Em Santiago, a maioria dos colégios deixará as crianças saírem mais cedo, enquanto algumas empresas permitirão aos funcionários ir até a rua para observar o fenômeno. Nos últimos dias, também aumentou a venda de lentes especiais. /COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

 

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