Chimpanzés derrotam humanos adultos em testes de memória

Resultado contraria idéia de humanos são melhores que os demais primatas em todas as capacidades mentais

Associated Press,

03 de dezembro de 2007 | 15h37

Pesquisadores japoneses puseram chimpanzés jovens contra humanos adultos em dois testes de memória de curto prazo e, no geral, os macacos venceram. Esse resultado põe em questão a crença, partilhada por muitos cientistas, de que "humanos são superiores a chimpanzés em todas as funções cognitivas", disse o pesquisador Tetsuro Matsuzawa, da Universidade de Kyoto.   "Ninguém poderia imaginar que chimpanzés - chimpanzés jovens, de 5 anos de idade - tivessem uma performance melhor que seres humanos em tarefas de memorização", disse ele, em nota. Matsuzawa, um pioneiro no estudo da capacidade mental dos chimpanzés, disse ter se surpreendido com o resultado. Ele e o colega Sana Inoue descrevem o trabalho na edição desta terça-feira, 4, do periódico Current Biology.   Um dos testes de memória incluiu três chimpanzés de 5 anos que tinham sido treinados para ordenar os algarismos arábicos de 1 a 9, e doze voluntários humanos.   Eles viram nove números serem apresentados numa tela de computador. Quando o primeiro número era tocado, os demais eram cobertos por quadrados brancos. A tarefa era tocar os quadrados na ordem crescente dos algarismos ocultos.   Resultados mostraram que os chimpanzés não eram mais precisos que os humanos, mas conseguiam completar a tarefa mais rapidamente. Um chimpanzé, Ayumu, foi o campeão. Numa segunda rodada, Ayumu enfrentou nove universitários. Desta vez, cinco números eram exibidos por instantes na tela, antes de seres substituídos por quadrados brancos. O desafio, novamente, era tocar os quadrados na seqüência crescente correta. Quando os números eram exibidos por sete décimos de segundo, tanto Ayumu quanto os universitários eram capazes de acertar em 80% das tentativas.   Mas quando o tempo de exposição caía a quatro décimos ou dois décimos de segundo, o chimpanzé dominava. Mesmo no tempo menor, curto demais para permitir uma boa olhada na tela, Ayumu ainda acertava 80% das vezes, enquanto os humanos caíram  a 40%.   Isso indica que o macaco era melhor em captar o padrão geral dos números com um único olhar, escrevem os pesquisadores.   "É inacreditável o que esse chimpanzé consegue fazer", disse a diretora do Centro para o Estudo e Conservação de Primatas do Lincoln Park Zôo de Chicago, Elizabeth Lonsdorf. "Eu vi o vídeo (da performance do chimpanzé) e posso dizer que não conseguiria fazer isso de jeito nenhum", disse ela. "Não sou capaz de acertar nem os dois primeiros quadrados".   Segundo Matsuzawa, dois fatores podem estar operando a favor dos macacos. Um deles é que os ancestrais da humanidade podem ter trocado parte da capacidade de memorização rápida para abrir espaço no cérebro para as complexidades da linguagem. Outro é a tenra idade de Ayumu.   O tipo de memória privilegiado nesses testes lembra uma perícia comum em crianças, mas que some com a idade. O próximo passo lógico, então, é pôr os chimpanzés para enfrentar adversários à altura: criancinhas.

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