China diz que não ameaça o planeta, mas depende do carvão

País é o segundo nos rankings mundiais de produção e consumo do combustível

EFE

26 de dezembro de 2007 | 04h41

A China, segundo maior consumidor de energia do mundo, atrás dos Estados Unidos, anunciou nesta quarta-feira que seu consumo não é uma ameaça ao resto do planeta, mas sua economia continuará dependendo em grande medida do carvão, maior responsável pela poluição no país. Um documento publicado nesta quarta-feira pelo Conselho de Estado (Executivo), intitulado "Condições e políticas energéticas da China", afirma que o país "não foi, não é e nem será uma ameaça à segurança energética mundial". O documento apresenta a situação atual do setor de energia na China. O país é auto-suficiente em 90%, segundo o Executivo. Mas o aumento do seu consumo foi responsável por um terço da alta do preço do petróleo nos mercados internacionais nos últimos meses. A produção de energia de 2006 na China foi equivalente a 2,21 bilhões de toneladas de carvão standard. O país está em segundo lugar no ranking mundial. Mas seu consumo foi também o segundo maior do mundo, equivalente a 2,46 bilhões de toneladas de carvão. A dependência chinesa do carvão baixou de 72,2%, em 1980, até 69,4% em 2006. Mas o documento reconhece que a participação do combustível na matriz energética chinesa continuará sendo alta, afetando o meio ambiente. "O carvão é o principal combustível consumido na China, e esta estrutura energética permanecerá assim por um longo período. Os métodos antiquados de produção intensificam a pressão sobre o meio ambiente, e esta é a principal causa de poluição na China, assim como de gases causadores do efeito estufa", diz o relatório. O Governo pretende promover uma produção de carvão mais limpa e eficiente para reduzir também a sua dependência do petróleo. Nas conclusões do documento, o Governo chinês reafirma que seu consumo energético é ainda baixo em proporção com sua população, a maior do mundo, com 1,3 bilhão de habitantes. O consumo per capita ainda é equivalente a "três quartos da média mundial", ressalta.  O déficit energético chinês obrigou o país a fechar acordos com países como Irã e Sudão. A dependência do petróleo transforma a China em um dos principais compradores hoje, com um forte impacto no preço do petróleo. Mas o Executivo se compromete no documento a estabelecer acordos de longo prazo com as petrolíferas estrangeiras. O Governo liberalizará o sistema nacional de preços do combustível, atualmente abaixo das cotações internacionais, e se compromete a promover as energias renováveis e limpas, a tecnologia e a proteção do meio ambiente, segundo o documento de 44 páginas. No entanto, o Governo não adotou nenhuma das exigências ocidentais para reduzir as emissões de carbono. A China, quarto maior PIB do mundo, se considera um país em desenvolvimento que ainda luta contra a pobreza, e culpa os países ricos pelo aquecimento global. Segundo os números publicados, o uso de energias renováveis e nuclear somadas subiu de 4% em 1980 até 7,2% no ano passado.

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