Chuva cancela megaoperação de combate a incêndio no AC

Uma megaoperação de combate aos incêndios florestais no Acre foi desativada graças a uma chuva imprevista, que começou durante a madrugada desta Segunda-feira e prosseguiu durante o dia. Mais de uma tonelada de equipamentos, 150 homens do Corpo de Bombeiros de Brasília, um helicóptero para 20 pessoas, um avião Pantera e 20 especialistas do Ibama estão de prontidão em Rio Branco.O Acre está em estado de emergência desde 21 de setembro, quando duas mil pessoas saíram às ruas usando máscaras para protestar contra a fumaça que cobria o Estado. Por sugestão do Ministério Público do Estado, o governador Jorge Viana decretou emergência visando envolver o governo federal no problema e poder adquirir equipamentos e serviços.Em entrevista coletiva, o governador informou que ainda há focos de incêndios em vários municípios onde a chuva foi menos intensa como Brasiléia, Plácido de Castro e Acrelândia. Foram detectados 325 focos de incêndio no último domingo, principalmente ao longo da rodovia BR-317 onde está a Reserva Extrativista Chico Mendes.Para o governador, os incêndios florestais só deixarão de ser problema quando todos os estados amazônicos chegarem a um consenso sobre como combater queimadas e desmatamentos, pois a maior parte da fumaça que cobre o Acre vem de Rondônia e de Mato Grosso. Viana disse que vai convocar os governadores da Amazônia para uma reunião em Brasília e discutir uma proposta alternativa para a Amazônia. Os governadores Ivo Cassol, de Rondônia e Blairo Maggi, de Mato Grosso, estiveram em Rio Branco nesta segunda (26/09). Estiagem - As queimadas no Acre vinham ocorrendo desde julho, quando os agricultores aproveitam a estiagem para preparar a terra para o plantio. Mas, este ano a estiagem se prolongou derrubando a umidade do ar e favorecendo os incêndios florestais, fora de controle.Os incêndios começaram dia 18 de setembro, data do encerramento de uma portaria do Ministério Público proibindo queimadas no Estado. Nos dois dias que se seguiram Rio Branco foi coberta por uma nuvem de fumaça só comparável às registradas nos anos 80, quando as queimadas eram até incentivadas. Foram registrados 1086 focos de calor neste período. Cerca de 160 atendimentos diários no maior pronto socorro da capital são de problemas respiratórios que atacam principalmente crianças e idosos.As principais atividades econômicas do Estado ficaram prejudicaram com os incêndios. Na pecuária, houve queima de pastagens, cercas, currais e morte de gado. Também foram registradas perdas de plantações inteiras de banana e café em Plácido de Castro e Acrelândia.O presidente da Federação da Agricultura do Estado, Assuero Veronez, disse que os prejuízos ainda serão contabilizados, mas não será possível avaliar as perdas que virão com a queda da produtividade advinda da má qualidade das pastagens. "Além da redução de peso haverá redução da taxa de natalidade no rebanho", explica.

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