Chuva pára e rios da Amazônia continuam secando

Os rios Amazonas e Tapajós continuam secando e o sonho de 70 mil famílias castigadas pela falta de alimentos e água, de ver a chuva cair na região Oeste do Pará, começa a virar pesadelo. Nesta sexta-feira, meteorologistas voltaram a prever que as chuvas só voltam no final de novembro e começo de dezembro.Pior para as comunidades distantes mais de 150 km das cidades de Santarém, Monte Alegre e Juruti, que vêem o tempo passar sob o forte calor do verão amazônico.A burocracia na distribuição de alimentos provoca situações absurdas em alguns municípios. As cestas básicas abarrotam galpões, mas falta transporte para levá-las às localidades onde antes só era possível chegar de barco. Com a seca que rachou o solo e criou desertos de lama, somente helicópteros podem descer nas áreas mais atingidas.Os homens da Defesa Civil estadual se viram como podem para atender aos pedidos de socorro. Apenas dois helicópteros estão atendendo dezenas de vilas e povoados encravados no meio da floresta. O governo do Pará está enviando mais 400 toneladas de comida, remédios e água mineral. Um avião da FAB faz o trajeto de quase 900km entre Belém e Santarém.Lavando as mãosA prometida ajuda federal ainda é tímida, quase imperceptível. A sensação dos paraenses é de que o governo Lula lavou as mãos para a seca.Em Santarém, município com o maior número de comunidades atingidas pela estiagem, o principal problema é a qualidade da água que ainda resta para que os moradores possam matar a sede. A morte de toneladas de peixes contaminou a água e já provoca o aparecimento de doenças, como diarréia e vômito.Em algumas comunidades, o gado já não tem mais o que beber. A água está a quilômetros de distância e as reses estão tão fracas que têm dificuldade em chegar até ela. Em outras situações, o gado fica atolado no que restou do leito dos rios e lagos e não consegue sair. Se o criador der sorte, consegue tirar o animal antes que ele morra.Os índios mundurucus também já começam a entrar no desespero. Sem peixe para comer, algumas aldeias pedem as cestas básicas do governo. O problema é saber quando vão chegar.

Agencia Estado,

28 de outubro de 2005 | 21h09

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.