Cidade dos EUA derruba lei que proíbe videntes e tarólogos

Críticos dizem que não cabe ao governo decretar quais crenças pessoais poderem ser consideradas fraudes

AP

01 de setembro de 2008 | 18h32

Eis que o futuro está sendo revelado e parece promissor para videntes, leitores de tarô e qualquer um que diga conseguir contato com espíritos no Estado de Vermont, na região norte-americana da Nova Inglaterra.  Ler a fortuna pode continuar a ser proibido em algumas partes dos Estados Unidos, mas a cidade de St. Johnsbury revogou a lei contra essa atividade, que estava em vigor desde 1966.  "Quando a medida foi entrou em vigor, eu senti um grande peso sendo tirado dos meus ombros", disse Maria Pawlowski, que joga tarô. "Eu me sentia muito oprimida por ter que esconder algo que, para mim, é tão natural quanto respirar." O medo da fraude levou muitas comunidades a banirem as previsões do futuro, mas críticos dizem que não cabe ao governo decretar quais crenças pessoais poderem ser tidas como fraudulentas. No ano passado, na Filadélfia, inspetores da cidade fecharam mais de uma dúzia de consultórios de leitores de tarô e de videntes, após descobrirem que uma antiga lei ainda bane a prática de previsão do futuro por dinheiro. Muitos outros Estados tinham leis semelhantes que foram derrubadas. É o caso da Louisiana, Nebraska, Tennessee, Flórida, Carolina do Norte e Oklahoma, disse Charles Haynes, do First Amendment Center, em Washington. "As pessoas têm o direito de acreditar nessas coisas e de prever o futuro, de dizer o que pensam e até de cobrar dinheiro por isso", disse. "O governo não tem poder de determinar se essas pessoas estão cometendo fraudes." "Há pessoas que prevêem como se comportará a bolsa de valores. Há pessoas que prevêem o clima e são pagas por isso", questiona.  St. Johnsbury revogou sua determinação banindo essas atividades mediante o pedido de Jean O'Neal, que disse que a lei proíbe um de suas atividades: feng shui. No entanto, Mike Welch disse que a lei nunca foi realmente aplicada. Outros oficiais da cidade afirmam não saber por que ela foi instituída.

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