Ciências são ponto de partida para melhorar a educação

Pequenas experiências em sala de aula, com misturas químicas simples e carrinhos de lego, podem ser o ponto de partida para uma mudança qualitativa em todo o ensino, segundo especialistas de 30 países reunidos no 10.º Simpósio da Organização Internacional para a Educação em Ciência e Tecnologia (Ioste, na sigla em inglês), que terminou nesta sexta-feira. Além de cultivar o espírito de investigação, indispensável para que os estudantes se tornem aprendizes por toda a vida - valor reconhecido no mercado de trabalho mundial, através do conceito de ?lifelong learning? -, o ensino de ciências com abordagem mais prática e cativante é fundamental para ampliar o interesse na carreira científica, que tem reflexos diretos na produção acadêmica, na pesquisa e desenvolvimento tecnológico, bem como na capacidade de inovação pela indústria dos países.Mesmo escolas sem laboratórios podem oferecer aos alunos do ensino fundamental algumas práticas em física e biologia, por exemplo, que tornam o aprendizado mais interessante e estimulam os estudantes a buscar conteúdos de outras disciplinas (cálculos, pesquisa bibliográfica, produção de textos etc) para realizar seus experimentos. Os especialistas apresentaram e discutiram no simpósio projetos desenvolvidos em vários países mas concentraram-se, por fim, na necessidade de formar professores capazes de romper com o modelo tradicional de aulas, baseado em quadro-negro, livro e caderno. ?Não adianta ter um PhD na sala de aula se ele não sabe ensinar?, lembrou John Penick, da Universidade da Carolina do Norte (EUA). ?Para se reformar a educação, é preciso reformar a formação dos professores.?Mesmo nos Estados Unidos, segundo Penick, há preocupação mínima com a preparação de quem vai dar aulas. ?Fazem ?alguma coisa em pedagogia? durante um ano ao fim de um curso, e acham que isso é suficiente, mas não é.? No Reino Unido, as aulas de química são baseadas em livros grossos e pesados e em palestras nas quais os estudantes ficam ?mentalmente ausentes por 40% do tempo?, segundo Stuart Bennet, da Universidade Aberta de Milton Keynes.No Brasil, a formação dos professores é ainda um desafio distante no futuro, porque o País precisa primeiro assimilar essa abordagem do ensino de ciências. ?Estamos ainda no primeiro estágio?, afirmou Nélio Bizzo, vice-diretor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do simpósio. Para ele, essa nova abordagem precisa começar a ser aplicada à realidade brasileira para, então, se chegar ao estágio de ?fazer os outros (professores) fazerem?.A realização do simpósio no Brasil, pela primeira vez, é vista por Bizzo como um importante passo para a implementação destas mudanças no ensino de ciências. ?Estamos caminhando para incluir no ensino brasileiro uma noção de ciência e tecnologia que ainda não existe?, afirmou.O repórter David Moisés viajou a convite dos organizadores do 10.º Simpósio da Organização Internacional para a Educação em Ciência e Tecnologia (Ioste)

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