Cientista americano pesquisa vacina contra verminose

Monteiro Lobato ficaria satisfeito com a notícia. Um cientista realiza pesquisas avançadas para a criação de uma vacina eficaz contra a verminose, mal de Jeca Tatu que serviu de inspiração para uma história em quadrinhos bastante popular, distribuída em todo País através do Almanaque do Biotônico Fontoura. Monteiro Lobato tinha uma teoria sobre os caipiras, talvez por ter sido homem do campo, da região de Taubaté, onde nascera e vivera: a letargia do caboclo seria causada por vermes que subiam pela plantas dos pés, por andar descalço. Embora sem fazer referência a Jeca Tatu, o argumento do cientista Peter Hotez, da Universidade de Washington, para explicar seus trabalhos em busca de uma vacina contra os ancilóstomos, minúsculos parasitas, é o mesmo. O verme da categoria dos helmintos, chega realmente ao intestino humano entrando no corpo pela planta dos pés de crianças e adultos descalços. Uma situação comum nas zonas rurais brasileiras. Instalado nos intestinos, liberam uma substância que estimula o sangramento, pois o verme se alimenta do sangue como um vampiro. Ora, nas crianças pobres e descalças a doença consiste na fixação de verdadeiras colônias desses helmintos nos intestinos. A conseqüência é uma diminuição dos glóbulos vermelhos do sangue, onde fica o ferro, com uma posterior anemia nas crianças ou adultos. O quadro de anemia é o de um Jeca Tatu letárgico, preguiçoso e sem vontade. A ancilostomíase também se caracteriza pela vontade de comer terra nas crianças, para repor o ferro perdido pelo sangue. Josué de Castro, no seu livro Geografia da Fome contava que, na Feira de Caruaru, vendia-se tijolinhos de terra para os Jecas Tatus locais. Se a vacina do americano Peter Hotez der certo, será o fim definitivo do Jeca Tatu brasileiro, pouco conhecido pela novas gerações. E Monteiro Lobato teria de reconhecer a salvação clínica do caboclo brasileiro por um americano.

Agencia Estado,

15 de junho de 2005 | 06h13

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