Cientista argumenta que religião é fruto da evolução

Antropomorfização de Deus pode ser fruto da tendência de ensaiar relações sociais na imaginação

da Redação,

22 de outubro de 2008 | 19h13

eligião é um "produto" da evolução do cérebro humano, de modo que a idéia de Deus, assim como os comportamentos religiosos, encontram seu fundamento no mundo real onde o cérebro precisa operar. A tese é do pesquisador americano Pascal Boyler, que publicou seu artigo na revista científica Nature, abrindo uma série de ensaios sobre a natureza humana que a publicação trará ao longo dos próximos meses.   Boyler, que professor do departamento de Psicologia e Antropologia da Universidade Washington, argumenta que o funcionamento do cérebro predispõe o homem a praticar a fé religiosa.   Por exemplo, a tendência a criar imagens imateriais e a ver Deus como uma figura antropomórfica talvez seja explicada pelo hábito infantil de criar figuras semelhantes às reais em sua imaginação - nos moldes dos amigos imaginários.   "Talvez a extraordinária habilidade social dos humanos, em comparação com outros primatas, possa ser aperfeiçoada pela prática constante com parceiros imaginários ou ausentes", especula o cientista.   O pesquisador descreve que também os rituais religiosos seriam comportamentos padrão do cérebro humano, comportamentos estereotipados e repetitivos como os que ocorrem em distúrbios obsessivo-compulsivos.   Uma outra característica do cérebro humano que pode explicar alguns aspectos da religião, segundo Boyer, é a tendência a socializar, a tecer coalizões que vão além das relações de parentesco. Essa inclinação à vida em grupo cria a comunidade religiosa, que cria para si as regras próprias de cada crença.   Segundo Boyer, não será descoberto o "circuito do pensamento religioso" ou os "genes da fé", mas constatamos que "a religião é um produto da nossa evolução".   "Um dia talvez encontremos as provas para demonstrar que nossa propensão inata ao pensamento religioso, e não a 'religião' na forma moderna de instituições sociopolíticas, contribuiu para a aptidão evolutiva em tempos passados", escreveu o pesquisador.   (com agência Ansa)

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