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Cientista quer lei separada para células-tronco

O Congresso Nacional faria melhor se não misturasse questões tão complexas e diferentes como pesquisas com células-tronco e organismos geneticamente modificados, como ocorre agora no projeto da Lei de Biossegurança, no Senado. Cientistas lamentam que o debate sobre o uso de bastocistos (embriões em estágio inicial) humanos em estudos de laboratório esteja ocorrendo de forma apressada, só para que a lei saia a tempo de regulamentar o plantio de soja transgênica no País.Para a bióloga Lygia da Veiga Pereira, da Universidade de São Paulo (USP), células-tronco e transgênicos devem ser tratados em leis diferentes. "Uma coisa não tem nada a ver com outra", argumentou ela, que participou do simpósio Células-tronco, na 56.ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). "Biossegurança tem a ver com organismos modificados geneticamente, que recebem um gene de outro organismo. Não é o caso das células-tronco."Segundo Lygia, que pesquisa o desenvolvimento de neurônios a partir de células-tronco, cada tema tem seu próprio debate e suas próprias urgências, além de serem suficientemente complexos para serem tratados juntos numa única lei. E a pressão em torno dos transgênicos ameaça atropelar o debate sobre o uso de embriões nas pesquisas, já que a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, está preocupada com a soja."Ela disse que a lei precisa ser votada logo, porque já está na época de plantar soja", explicou a pesquisadora da USP. "Mas essa lei não pode ser votada como está. Precisa ser mais dicutida."O projeto da Lei de Biossegurança foi aprovado na Câmara dos Deputados, em fevereiro, determinando a proibição de qualquer pesquisa com embriões humanos. Houve forte pressão de grupos religiosos, que consideram os blastocistos como seres vivos.Lygia afirma que, se o Senado não modificar o texto, o Brasil vai ficar para trás nas pesquisas com células-tronco embrionárias. "O País vai perder a possibilidade de obter uma vantagem competitiva nessa área de pesquisas", disse Lygia. "Vamos ficar assistindo as coisas acontecerem nos outros países. Teremos de mandar pacientes para tratar no exterior ou então importar terapias desenvolvidas lá fora."Segundo Lygia, as pesquisas com células-tronco já são uma realidade e o Brasil não pode deixar de continuar trabalhando nessa área. "O País investiu durante tanto tempo nessas pesquisas e na formação de recursos humanos e agora vai ter de abandonar tudo", lamentou.

Agencia Estado,

20 de julho de 2004 | 16h50

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