Cientistas alertam para impacto dos pântanos no efeito estufa

Destruição de zonas úmidas terá impacto na diminuição das chuvas e liberação de carbono na atmosfera

AP

22 de julho de 2008 | 19h46

A destruição dos pântanos da Terra pode ter um efeito desastroso nos padrões das chuvas, disseram cientistas nesta terça-feira, 22. O impacto vai se tornar aparente em 10 ou 20 anos, com a diminuição drástica das chuvas em muitas regiões, disse Wolfgang Junk do Instituto Max Planck de Biologia Evolutiva.  Em climas tropicais, as estações secas vão se tornar cada vez mais secas e as estações de chuva cada vez mais úmidas, disse.  "As ações têm que levar em consideração o impacto local e regional pois os efeitos serão sentidos em décadas, senão em anos", disse Junk, que está em Cuiabá, onde ele e mais 700 cientistas de 28 países estão em conferência sobre o papel dos pântanos na mudança climática.  Embora essas áreas cubram apenas 6% da superfície da Terra, elas armazenam 20% do carbono da Terra.  "Eles guardam uma quantidade desproporcional de carbono, igual a cerca de dois terços do que está na atmosfera", disse Eugene Turner, professor da Universidade da Louisiana e especialista na ligação entre os pântanos e a mudança climática.  Esse carbono é liberado na atmosfera, agravando o aquecimento global, à medida que os pântanos são destruídos pela drenagem para uso em agricultura, pela poluição e pela extração de turfa. O aquecimento global então seca ainda mais os pântanos, causando ainda mais destruição, disse Turner.  Os cientistas vão concluir a conferencia pedido às nações que protejam seus pântanos, disse Paulo Teixeira, da Universidade das Nações Unidas. "Não há uma proposta única, porque pântanos diferentes passam por ameaças diferentes", disse Teixeira. "O que é importante é que os governos se conscientizem da importância dos pântanos e façam alguma coisa para protegê-los."

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