Cientistas anunciam sucesso em teste de olho biônico

Cientistas participantes da reunião anual da Associação para Pesquisa da Visão e Oftalmologia anunciaram, em Fort Lauderdale, que foram bem-sucedidos os testes de um olho biônico. O implante revolucionário, realizado pela Universidade do Sul da Califórnia e a empresa de tecnologia Secong Sight (Segunda Visão) em três cegos, tornou-os capazes de detectar luz e movimento, contar objetos e até distinguir diferentes formas.A experiência traz nova esperança a milhões de pessoas que perderam a visão por causa de doenças degenerativa dos olhos. Ela vai beneficiar particularmente os pacientes com degeneração macular, a causa mais comum da cegueira, e aqueles com retinite pigmentária, doença incurável que aflige uma de cada 3.500 pessoas.O olho biônico, um aparelho que tem um chip de 4 mm por 5 mm feito de silício e platina, é posto na retina do paciente. O chip substitui as estruturas receptoras de luz que foram prejudicadas pela doença. Ele contém 16 eletrodos, dispostos em quadrados de 4 por 4, que estimulam as células receptoras saudáveis. Isso induz as células da retina a produzir impulsos elétricos, transmitindo a imagem para o cérebro ao longo do nervo óptico.Atualmente, a prótese não processa a luz que incide diretamente na retina através de lentes. Por isso, a pessoa cega tem de usar óculos com uma câmera de vídeo especial acoplada, que "vê" um objeto e então transmite as imagens para um receptor implantado atrás da orelha do paciente. Esse receptor retransmite o sinal para o chip retiniano, onde o padrão da imagem original é recriado nos eletrodos.Apesar de haver apenas 16 eletrodos no chip, cada um pode estimular dezenas de cones e bastonetes da retina. O resultado é uma imagem que, embora longe de ser tão nítida quanto a visão normal, permite que a pessoa veja luz, movimento e até o contorno de objetos. "O paciente pode distinguir até a diferença entre um copo e um prato", disse Mark Humayun, professor de Oftalmologia da Keck School of Medicine e coordenador da pesquisa.A equipe de pesquisadores aspira a aprimorar o implante, usando cerca de mil eletrodos para produzir imagens mais nítidas e um campo mais amplo de visão. A longo prazo, eles pretendem também substituir a câmera de vídeo por um dispositivo implantado na córnea.

Agencia Estado,

08 de maio de 2003 | 18h39

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