Cientistas atribuem vulcão de lama da Indonésia a perfuração

A operadora Lapindo Brantas atribui fenômeno, que desalojou cerca de 30 mil pessoas em 2006, a um terremoto

AP

10 de junho de 2008 | 15h23

Cientistas disseram nesta terça-feira, 10, que estão quase certos que um vulcão de lama que desalojou milhares de habitantes da Indonésia central foi causado pela perfuração incorreta durante exploração em busca de gás natural - e não um terremoto, como alegou a empresa. Debates sobre a erupção pioraram desde que uma aparentemente interminável quantidade de lama preta quente começou a jorrar de um buraco próximo à segunda maior cidade do país, Surabaya, no dia 29 de maio de 2006. A operadora Lapindo Brantas, da família do homem mais rico da Indonésia, o ministro do Bem-Estar Aburizal Bakrie, diz que o fenômeno foi causado por um terremoto de magnitude 6,3 que ocorreu a 250 quilômetros do local, dois dias antes. "Nós estamos mais certos que nunca de que o vulcão de lama de Lusi não é um desastre natural e aconteceu por causa da perfuração do poço Banjar-Panji-1", disse Richard Davies, geólogo da Universidade de Durham, no Reino Unido, nesta terça-feira, 10. Ele foi o autor principal de uma estudo publicado esta semana no jornal acadêmico Earth and Planetary Science Letters. O trabalho diz que a equipe está 99% certa de que pressões causadas pela perfuração causaram o vazamento de fluidos que levaram à "explosão subterrânea". A Lapindo notou tarde demais um influxo de água ou gás no poço depois que a broca foi removida para a noite, disse Davies, acrescentando que "é bastante claro" que a pressão crítica foi "mais que o buraco pôde suportar." Michael Manga, um pesquisador da Universidade da Califórnia que escreveu parte do relatório sobre o impacto do terremoto, disse que enquanto abalos podem provocar erupções, esse "foi simplesmente pequeno demais e longe demais." A Lapindo não pode ser contatada imediatamente nesta terça-feira, 10, para comentar o relatório.  O governo tentou diversas vezes conter a lama, que saia a cerca de 100 mil metros cúbicos por dia, incluindo jogar bolas de concreto no buraco e construir barragens para canalizar o fluxo para o mar.  No entanto a lama continuou causando confusão, engolindo pelo menos uma dúzia de vilas e desalojando até 30 mil pessoas. O governo estima que a erupção vá causar US$844 milhões (R$ 1,387 bilhão) em estragos e ordenou que a Lapindo pague metade desse valor, com algum dinheiro indo para a compensação das vítimas.

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