Cientistas australianos criam lã e seda autolimpantes

Nanotecnologia permite revestir fibras com cristais que aceleram a decomposição de manchas e bactérias

Carlos Orsi, do estadao.com.br,

22 de fevereiro de 2008 | 14h09

Pesquisadores australianos da Universidade Monash anunciaram a criação de seda e lã autolimpantes, tecidos que, num intervalo de horas, desintegram manchas de sujeira.    Os tecidos são fruto de uma aplicação de nanotecnologia que permite revestir fibras com minúsculos cristais de dióxido de titânio. Esses cristais atuam como catalisadores, acelerando reações químicas que reduzem moléculas orgânicas como as que compõem molhos, alimentos e bebidas a dióxido de carbono e água.    O resultado é um tecido que se limpa sozinho ao ser exposto à umidade do ar e à radiação ultravioleta, como a que existe na luz do Sol.   O processo também permite eliminar bactérias e outros contaminantes, mas é seguro para uso em roupas porque o catalisador não provoca a destruição das camadas externas da pele humana.   "As células da parte externa da epiderme contêm queratina, o material estrutural das fibras de proteína, e o catalisador não é capaz de decompor a queratina. Se fosse, a lã também seria consumida", explica o principal autor do trabalho, Walid Daoud.   O uso de dióxido de titânio como revestimento autolimpante não é novo - esses cristais já são usados em vidros e tintas. Um algodão autolimpante também já foi criado.   Mas para revestir fibras como lã e seda os pesquisadores tiveram de usar cristais com menos de 10 nanômetros (bilionésimos de metro) e desenvolver um processo para garantir a adesão do titânio às fibras de queratina.   Daoud reconhece que alguns tipos de sujeira de origem inorgânica, como argila, poderão ser imunes ao efeito autolimpante. "É possível, mas ainda não testamos para ver isso", afirmou. Ele acredita que a técnica, que preserva a textura original da fibra revestida, chegará ao mercado dentro de dois anos. "E o tratamento (do tecido) é um processo bem barato", diz.   Em artigo publicado na revista especializada Chemistry of Materials e citado na Technology Review, Daoud e colegas descrevem como o material é capaz de eliminar manchas de café, vinho tinto e tinta azul em intervalos que vão de duas a 20 horas de exposição à radiação solar.

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