Cientistas avaliam capacidade anti-sísmica de monumentos

Eles estudarão durante três anos o Partenon na Acrópole de Atenas para contribuir com sua preservação

Efe

22 de agosto de 2008 | 18h32

Especialistas gregos e japoneses estudarão durante três anos a capacidade anti-sísmica da construção do templo do Partenon na Acrópole de Atenas, na Grécia, erguido há mais de 2.500 anos, para contribuir com a preservação de monumentos. Trata-se de um projeto do Ministério de Cultura grego e da Universidade Politécnica de Atenas que terá início em novembro e pretende garantir a estabilidade dos monumentos antigos após séculos de desgaste. Costas Zabas, pesquisador do Partenon, explicou à Agência Efe que após 25 anos de estudos do monumento chegou à conclusão que sua estabilidade se deve "à técnica utilizada pelos trabalhadores na hora de colocar os pedaços de mármore e à forma de unir as peças das colunas, que leva à absorção de energia". Por sua vez, a diretora do serviço de restauração dos monumentos da Acrópole de Atenas, Maria Ioanidu, disse que, para os japoneses que participarão do projeto, existem elementos comuns entre as construções antigas gregas e japonesas e, por isso, eles se interessam em estudar os métodos anti-sísmicos no Partenon. "O Partenon representa a arquitetura da época e sua qualidade é ótima, está construído sobre boas bases e com um conhecimento da conduta dos materiais de construção como o mármore e o chumbo", afirmou Ioanidu. O acadêmico japonês que participa da pesquisa Tosikasou Janasatou, em declarações ao jornal italiano La Repubblica, afirmou que não tem "dúvida de que o templo da Antigüidade ateniense contém o segredo da melhor técnica de construção arquitetônica contra terremotos". "Queremos ajudar os monumentos da Antigüidade a permanecerem de pé e estamos estudando os métodos utilizados pelos antepassados para aplicá-los nos trabalhos de reparação", declarou Ioanidu. Ele disse também que a Grécia estuda há muitos anos as qualidades anti-sísmicas do templo do Partenon e que essa informação foi utilizada para a restauração do templo, em desenvolvimento desde 1979. Ioanidu contou que 80% das intervenções no templo foram feitas em setores que foram recuperados no passado com métodos e materiais errados. Segundo a restauradora, "ainda não se chegou a uma conclusão final sobre as técnicas que permitiram a estabilidade do templo contra os terremotos", mas, ao que tudo indica, se deve "à qualidade do mármore pentélico e ao método de colocar juntos os pedaços para construir as colunas". Ela acrescentou que essa técnica é de grande importância para o trabalho que os professores contratados pelo Ministério realizam para restaurar os monumentos da Acrópole.

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