Cientistas buscam meios de reduzir efeitos do aquecimento

IPCC, que provou a existência da mudança climática, lembra que soluções radicais envolvem riscos grandes ricos

AP

09 de dezembro de 2008 | 18h05

Cientistas que estudam as mudanças do clima dizem que completaram uma tarefa crucial - provar, além de qualquer dúvida, que o aquecimento global é real. Agora, eles têm que descobrir o que fazer a respeito.   Veja também:  Entenda o que é o IPCC e suas conclusões sobre o aquecimento  Sem metas consistentes, negociações fracassarão, diz De Boer Mundo não espera Europa para acordo climático, diz De Boer Entenda a reunião sobre clima da ONU na Polônia Quiz: você tem uma vida sustentável?  Evolução das emissões de carbono    Acompanhe a reunião de Poznan  Andrei Netto fala sobre a reunião de Poznan  Página oficial da conferência    Alertas científicos sobre catástrofes potenciais são o pano de fundo para conversas entre mais de 10 mil delegados e ambientalistas que negociam um novo acordo pra controlar a emissão de gases de efeito estufa, que cresceu 70% desde 1970. O tratado substituirá o Protocolo de Kyoto, que vence em 2012.   "É essencial que tenhamos um entendimento muito maior do impacto da mudança climática em algumas partes do mundo", disse o presidente do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC) da ONU, Rajendra Pachauri.   Pachauri declarou-se preocupado com o fato de os negociadores estarem esgrimindo e sondando, deixando as decisões importantes para a última hora. "Minha preocupação é que, se deixarmos tudo para o fim, acabaremos com um acordo fraco, que não trata realmente do problema", disse ele.   No ano passado, o IPCC, que reúne o trabalho de mais de 2 mil cientistas, disse que a mudança climática é "inequívoca, está acontecendo, e é causada por atividade humana".   Entre os efeitos prováveis listados estão: as regiões áridas ficarão ainda mais secas, os oceanos em elevação inundarão regiões costeiras, geleiras em derretimento causarão inundações e, depois que desaparecerem, secas, e até 30% das espécies vivas desaparecerão.   Desde então, novas evidências surgiram de que as camadas de gelo no Ártico e na Antártida estão se derretendo, o que ameaça ilhas e outras áreas não muito acima do nível do mar. "Pequenos Estados insulares estão vivendo em um estado de medo", disse ele.   O relatório de 2007 diz que há consenso científico de que o aquecimento global deve se limitar a 2º C para evitar que os piores cenários se concretizem. Para manter essa meta, as emissões de gases do efeito estufa devem chegar ao pico em 2015, e então começar a cair.   "Os céticos estão fazendo um bom trabalho, porque estão fazendo com que apresentemos provas mais fortes", disse Lawrence E. Buja, pesquisador de mudança climática no National Center for Atmospheric Research em Boulder, Colorado.   Mas tendo essa batalha terminado, ele disse que cientistas devem seguir em frente e olhar para os impactos detalhados da mudança climática. "Essa é uma pergunta tão difícil quanto", disse.   Buja disse que cientistas estão procurando soluções para diminuir os efeitos do aquecimento, como imitar os efeitos de uma grande erupção vulcânica, espalhando enxofre na atmosfera, ou espalhar milhões de pequenos refletores para diminuir a entrada da luz solar e, conseqüentemente, a temperatura.   Mas ele disse que soluções radicais envolvem riscos. "Como você vai subir e recolher todos esses refletores se algo acontecer?"

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