Cientistas buscam melhor momento para tratar HIV

Objetivo é avaliar a eficácia dos antirretrovirais se receitados antes do recomendado atualmente

EFE,

08 Março 2011 | 11h03

Washington (EFE).- Cientistas de diferentes nacionalidades realizarão um estudo em 30 países para analisar o melhor momento para começar a aplicar antirretrovirais em pessoas infectadas pelo HIV, informou nesta segunda-feira, 7,  o Instituto de Saúde Nacional dos Estados Unidos.

O novo teste clínico tem o objetivo de determinar se as pessoas infectadas pelo HIV, mas saudáveis, têm menos risco de desenvolver aids ou outras doenças graves se começarem a tomar antirretrovirais antes do recomendado até agora.

Nos Estados Unidos, o tratamento costuma ser aplicado quando os níveis de moléculas CD4 e células T (que são normalmente um indicador da saúde do sistema imunológico) estão abaixo das 500 células por milímetro cúbico.

No entanto, a Organização Mundial da Saúde recomenda começar o tratamento quando os níveis de CD4 estão situados em 350 células por milímetro cúbico ou menos.

O grupo de diferenciação 4 (conhecido pela sigla em inglês CD4) é o receptor ou porta principal de entrada do HIV nas células T, do sistema de imunidade no corpo.

Os cientistas assinalam que até agora "não foram realizados testes clínicos bem desenhados para orientar sobre quando começar" o tratamento com os indivíduos que não apresentam sintomas. Por isso consideram fundamental o estudo "para definir com mais precisão o melhor momento para começar a medicação".

A medicação antecipada pode atrasar não só o desenvolvimento da aids, mas o risco potencial de outras doenças cardiovasculares, câncer, insuficiência renal e doenças hepáticas pela enfraquecimento do sistema imunológico.

"Algumas evidências epidemiológicas sugerem que os pacientes infectados pelo HIV ficam mais saudáveis quando começam o tratamento com os níveis de CD4 mais altos", indicou o doutor Anthony S. Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas (Niaid).

No entanto, assinalou que também existe preocupação pelas complicações de saúde e efeitos secundários associados ao uso de antirretrovirais durante toda a vida, assim como a possibilidade de que o vírus possa ficar resistente aos remédios.

O estudo será realizado em 30 países com quatro mil pacientes, homens e mulheres, maiores de 18 anos infectados pelo HIV e que nunca tomaram antirretrovirais, com os CD4 acima das 500 células por milímetro cúbico.

A metade dos participantes, distribuída de maneira aleatória, tomará antirretrovirais imediatamente, e a outra metade começará a ser tratada quando seus CD4 caírem abaixo das 350 células por milímetro cúbico.

Os participantes serão avaliados durante cinco anos para que a evolução de caso seja comparada.

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