Cientistas clonam embriões humanos pela primeira vez

O cientista Woo Suk Hwang e seus colegas da Universidade Nacional de Seul combinaram material genético de células normais de doadoras com seus óvulos. Os embriões resultantes cresceram para produzir as chamadas células-tronco, que podem se transformar em qualquer tipo de tecido do corpo humano. O objetivo é usar as células para substituir aquelas que falharam em pacientes com doenças como o mal de Alzheimer.É a primeira vez que um grupo de pesquisadores revelou ter produzido tantos clones em estágio inicial ou comunicou ter conseguido progresso até estágio tão avançado. Outros cientistas alegaram anteriormente ter clonado embriões humanos para estudar as chamadas células-tronco, mas a maior parte destes estudos foi contestada.Genoma"Como essas células carregam o genoma nuclear do indivíduo, depois da diferenciação é de se esperar que elas possam ser transplantadas sem rejeição para tratamento de doenças degenerativas", disse o professor Hwang. "Nossa experiência abre a porta para o uso dessas células desenvolvidas na medicina de transplante."Detalhes da pesquisa foram publicados na versão on-line do jornal Science, no site Science Express. As informações serão discutidas nesta quinta-feira na reunião anual da Associação Americana para o Progresso da Ciência.O trabalho dos cientistas sul-coreanos foi submetido a rigoroso exame por cientistas independentes antes de ser publicado no jornal. "Esses são os embriões clonados mais avançados que já foram produzidos", disse o professor Hwang à BBC. A equipe diz ter buscado aprovação para seu trabalho da diretoria de ética e ter obtido uma permissão das doadoras antes de seguir com sua pesquisa.ProcessoA equipe contou ao Science Express como utilizou 242 óvulos de 16 mulheres em sua experiência. Em cada caso, o material foi transferido do núcleo de uma célula não-reprodutiva (somática), contendo o código genético da mulher, para um óvulo sem núcleo da mesma doadora.No total, 30 embriões ? cópias genéticas exatas das doadoras ? foram, então, colocados em cultura até o estágio de blástula, no qual podem ser extraídas células-tronco. Essas células especiais se dividiram em três dos principais tecidos encontrados no corpo humano, segundo o estudo.As células foram transplantadas em camundongos para constatar se poderiam se desenvolver em tipos de células ainda mais específicos, oferecendo provas adicionais de sua "pluripotência". DoençasA intenção declarada da pesquisa é estudar células-tronco de embriões humanos para ver como elas podem ser usadas como instrumento terapêutico para tratar doenças como diabete, osteoartrite, mal de Parkinson, entre outras. Em todas essas doenças, os tecidos do corpo humano começaram a falhar."O potencial para as células-tronco é enorme, mas os pesquisadores ainda precisam superar obstáculos científicos significativos", disse Donald Kennedy, editor-chefe do jornal Science."Esses resultados parecem promissores. Mas é importante lembrar que o transplante de célula e tecido e a terapia genética ainda são tecnologias em desenvolvimento, e pode se levar anos até que células-tronco de embriões possam ser usadas na medicina de transplantes."ÉticaAo se referir às preocupações éticas, Kennedy fez um apelo pela proibição mundial do uso dessa tecnologia para criar crianças. O professor Hwang, que desenvolveu sua técnica na clonagem de animais, disse que qualquer tentativa de produzir um bebê seria "maluca"."Nunca tentaremos produzir seres humanos clonados", disse. "No processo de clonagem de animais, passamos por tantas dificuldades e perigos com deformidades, especialmente de órgãos internos."Segundo Roger Pedersen, professor de Medicina Regenerativa da Universidade de Cambridge, "a pesquisa avançou substancialmente no processo de geração de tecidos transplantáveis que têm a combinação perfeita com o sistema imunológico do paciente"."Os resultados encontrados por esses pesquisadores também tornam possível aprender como reprogramar o genoma humano até o estágio embrionário", disse. "Isso provavelmente vai acelerar o desenvolvimento de alternativas de reprogramação de células humanas, o que poderia, no futuro, diminuir a necessidade de usar óvulos humanos para este fim."

Agencia Estado,

12 de fevereiro de 2004 | 10h47

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