Cientistas conseguem apagar memórias em camundongos

Os pesquisadores usaram memórias dos roedores para reconhecer objetos e experiências que provocam medo

EFE,

22 de outubro de 2008 | 14h45

Uma equipe de cientistas conseguiu apagar memórias selecionadas do cérebro de camundongos. O processo, que envolve o uso de uma droga no momento em que a memória que se deseja apagar é evocada, é descrito na revista especializada Neuron, e foi desenvolvido pelo pesquisador Joe Z. Tsien, da Faculdade de Medicina da Geórgia (EUA).    Cientistas registram ação de neurônios durante lembrança  Bloqueio de proteína no cérebro apaga memórias antigas  Pobreza afeta o cérebro e prejudica o aprendizado  Um só neurônio permite vencer paralisia, mostra estudo  Criado sistema capaz de ler imagens dentro do cérebro humano   A equipe de Tsien criou camundongos geneticamente modificados para que produzissem, no cérebro, maiores quantidades da enzima  CaMKII, apelidada de "molécula da memória".   "Usamos um composto para 'acender' e 'apagar' esta enzima específica, no momento em que a recordação é evocada. Esse composto é capaz de chegar ao cérebro, mas só funciona no transgene que introduzimos no camundongo. Ele não tem efeito nenhum sobre nenhuma proteína natural do corpo", disse Tsien.   Surpreendentemente, disse o cientista, descobriu-se que estimular a produção de CaMKII no momento da evocação traz "um apagamento imediato da memória particular que se está recuperando, enquanto que as demais lembranças que não se trazem da memória permanecem intactas".   No estudo, os pesquisadores usaram memórias dos roedores para reconhecer objetos e experiências que provocam medo.   Tsien acredita que a produção de CaMKII no momento exato em que ocorre a recordação debilita rapidamente as conexões entre os neurônios que deveriam gravar a memória, o que explicaria essa "formatação" seletiva.   O método, dizem os cientistas, ainda está longe da aplicação em humanos, pelo menos da mesma forma como se fez com os animais. Seria necessário encontrar moléculas adequadas para a produção de uma droga. Segundo Tsien, "dada a complexidade de nossos cérebros", isso mão seria possível, "ao menos por enquanto".

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