Cientistas conseguem observar pela primeira vez um planeta em formação

Cientistas conseguem observar pela primeira vez um planeta em formação

Em estudo publicado na 'Nature', pesquisadores flagram estrela com um disco de poeira e gás onde um novo exoplaneta está nascendo

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

19 Novembro 2015 | 16h00

Cientistas observaram pela primeira vez o processo de acumulação de partículas de poeira e gás que é responsável pela formação de um novo planeta. Até hoje, entre os mais de 1.900 planetas descobertos fora do Sistema Solar, nenhum havia sido flagrado em seu processo de formação. O novo estudo foi publicado nesta quinta-feira, 19, na revista Nature.

Quando uma estrela nasce, ela produz em sua órbita um disco de gás e poeira a partir do qual surgem os planetas. Uma parte interna desses discos, conhecida como "disco de transição" é desprovida de gás e poeira - e a ela tem sido atribuída a formação dos planetas. Por isso, de acordo com os cientistas, os discos de transição são laboratórios naturais para a observação da gênese de planetas.

Outros discos de transição já foram descobertos e mostram evidências da presença de jovens planetas, na forma de assimetrias no disco ou de fontes infravermelhas detectadas nesses espaços vazio. Mas as tentativas para observar diretamente a formação de um planeta até agora haviam fracassado.

De acordo com Zhaohuan Zhu, da Universidade de Princeton, que escreveu um comentário sobre o artigo na própria Nature, descobrir jovens planetas é uma tarefa extremamente difícil, porque, além das distâncias gigantescas envolvidas, a formação de um sistema planetário é sempre obscurecida pela poeira.

"Os autores usaram uma nova técnica para detectar sinais emitidos por um planeta em formação. A descoberta tem implicações de longo alcance para nossa compreensão dos processos de formação planetária e das propriedades dos jovens planetas", declarou Zhu.

A equipe de cientistas liderada por Stephanie Sallum, da Universidade do Arizona (Estados Unidos) utilizou obsrevações de óptica adaptativa para observar o disco de transição em torno da estrela LkCa 15. 

Os pesquisadores detectaram emissões de hidrogênio-alfa, que indicam um gás extremamente quente - com temperaturas de cerca de 9700 graus Celsius - sendo tragado por um novo planeta em formação, que foi batizado de LkCa 15 b. 

"A emissão de fótons de hidrogênio-alfa já foi amplamente observada em discos de formação de planetas em outras jovens estrelas. Mas esse estudo foi o primeiro a produzir imagens diretas do crescimento de um paleta utilizando fótons de hidrogênio-alfa. Para fazer isso, eles utilizaram um filtro que permite que apenas os fótons de hidrogênio-alfa atinjam o telescópio", declarou Zhu.

Observação direta. Os autores do estudo sugerem que tanto as observações feitas do espectro infravermelho como do hidrogênio-alfa significam, de forma inequívoca, que há um planeta em plena formação em torno da estrela LkCa 15. 

Os cientistas concluíram que o sistema LkCa 15 fornece a primeira oportunidade para um estudo direto da interação entre o disco de transição e o planeta em formação.

"Embora se saiba que os planetas são formados a partir do material dos discos de poeira e gás que orbitam em torno de estrelas, pouco sabemos sobre como aglomerados de partículas microscópicas podem crescer tanto a ponto de se tornarem um planeta gigante, em um disco com tempo de vida relativamente curto", afirmou Zhu. 

De acordo com Zhu, o observatório espacial Kepler descobriu mais de mil planetas medindo a fraquíssima variação de luz das estrelas provocada pelo trânsito planetário diante delas. 

"Mas esses métodos não podem ser usados para encontrar planetas jovens em torno de jovens estrelas, porque essas estrelas são altamente ativas e a luz que elas emitem varia demais", explicou.

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